Covid-19 já tirou 11 milhões de passageiros à TAP

Dados de Outubro mostram um ligeiro agravamento das perdas face ao mês anterior, com uma queda homóloga de 80,6%, de acordo com os dados agora disponibilizados pela ANAC.

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Em Outubro, a TAP transportou 349 mil passageiros, o que representa uma queda de 80,6% em termos homólogos Nelson Garrido

Entre Março – mês em que foi declarada a pandemia – e Outubro, a TAP transportou menos 11 milhões de passageiros (equivalente a uma quebra de 84%), face ao mesmo período de 2019. Nos oito meses em análise, o melhor foi mesmo o de Março, com 710 mil passageiros, o que representa uma queda de 46%, já que a pandemia foi declarada apenas no dia 11, dando início a uma série de restrições à mobilidade.

Em Abril, os aviões estiveram quase todos parados, com a queda em termos homólogos a subir para 99,7% – nesse mês, foram transportadas apenas 4878 pessoas pela companhia aérea. As férias de Verão trouxeram algum alívio, mas, mesmo assim, Agosto não conseguir ir além dos 410 mil passageiros (-76,5%).

Depois disso, o saldo negativo agravou-se de novo em Setembro, com os passageiros, e consequentes receitas operacionais, a caírem 79,3%, para 354 mil. Já em Outubro, de acordo com os dados de tráfego agora disponibilizados pela ANAC, entidade reguladora da aviação civil, a TAP transportou 349 mil passageiros, o que representa uma queda de 80,6% em termos homólogos (em Outubro de 2019 tinha-se registado um crescimento de 26%).

A seguir à TAP, que voltou à liderança no mercado português, está a Ryanair, com 288 mil passageiros transportados nos aeroportos nacionais, o que representa menos 72%.

Lisboa com mais impactos

Olhando para os três maiores aeroportos, de acordo com os dados da ANAC, em Outubro a maior queda em termos de passageiros registou-se em Lisboa, com -78,5% em termos homólogos, chegando aos 665.541. Segue-se Faro, com -73,7%, para 244.438, e Porto, com -72,4%, para 326.378. As descidas no número de passageiros têm sido superiores às de movimentos, com um travão maior ao nível da procura.

Os dados referentes à TAP surgem numa altura em que está a ser ultimado o plano de reestruturação da companhia que tem de ser entregue em Bruxelas até ao dia 10 de Dezembro, na sequência das ajudas públicas (1200 milhões de euros este ano, e reforço da posição do Estado). Já uma houve uma ronda de reuniões com os sindicatos e com a comissão de trabalhadores, mas nada foi adiantado sobre cortes ao nível da frota e do número de trabalhadores.