Huawei diz que já não precisa da Google e reforça segmento premium

A marca chinesa diz que está confiante para a época de Natal e que Google já não faz falta. Os últimos produtos topo de gama da marca para 2020 chegaram às lojas esta terça-feira.

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Nova gama de telemóveis topos de gama Mate 40 Huawei
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Huawei x Gentle Monster Eyewear II Huawei
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Huawei x Gentle Monster Eyewear II Huawei
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Huawei Mate 40 Pro Huawei

O novo telemóvel topo de gama da Huawei — o Mate40 Pro — chega esta terça-feira às lojas portuguesas. O telemóvel 5G é a última proposta da marca chinesa para este ano e destaca-se pela câmara fotográfica, com a Huawei a manter a parceria com a empresa óptica alemã Leica que começou em 2016 com o modelo P9. A oferta premium em Portugal é complementada com outros produtos, incluindo óculos (349,99 euros) que se ligam ao telemóvel e permitem atender e desligar chamadas e reproduzir música — resultam de uma parceria com a empresa sul-coreana Gentle Monster. 

“Para o segmento de clientes que procurar produtos premium, de topo, estas são as nossas melhores ofertas”, resume ao PÚBLICO Shen Yun, responsável pela unidade de consumo da Huawei em Portugal. Desde Setembro de 2019, porém, que os novos telemóveis da marca não vêm com serviços da Google — ou seja, não há apps do YouTube, Gmail, GooglePlay ou Google Maps. A ausência destas aplicações torna os novos modelos menos apelativos para consumidores nos mercados ocidentais, habituados a telemóveis Android com os serviços do Google. Shen Yun, defende, no entanto que “a falta de serviços do Google já não faz tanta diferença.” 

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Huawei Mate Pro Huawei

O Mate 40 Pro faz parte de uma trilogia de telemóveis (Mate 40, Mate 40 Pro, e Mate 40 Pro+). À primeira vista, os modelos confundem-se: todos têm um ecrã com bordas arredondadas e um círculo de lentes a formar um anel na parte traseira a aludir a uma lente maior. A diferença entre as duas novas propostas reside na qualidade, tipo de lentes e resolução que cada câmara possui. Por 1249 euros o Mate 40 Pro, que chega esta terça-feira a Portugal, traz uma câmara principal de 50 megapixeis, uma câmara frontal de 13 megapixeis, 8GB de memória RAM, 256GB de memória interna e um ecrã de 6,76 polegadas. 

Óculos “fora da caixa” para Portugal

Os novos óculos, que Shen Yun admite serem “fora da caixa” para Portugal, servem para apelar aos fãs de tecnologia “na crista da onda”. Essencialmente os Huawei x Gentle Monster Eyewear II são um par de auriculares disfarçados de óculos de sol. O PÚBLICO pôde experimentá-los brevemente: apesar de volumosos, não são pesados (têm menos de 50 gramas) e não possuem quaisquer botões a estragar o design ou dar a ideia de que são algo mais que um acessório. São controlados com gestos e quando o utilizador os remove, o som pára, para poupar bateria. 

“Numa fase inicial estarão apenas disponíveis em lojas de tecnologia normais, mas eventualmente esperamos levá-los para oculistas”, nota Shen Yun, embora reconheça que ainda se trata de um produto de nicho. 

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Huawei x Gentle Monster Eyewear II huawei

Falta de Google não faz diferença, 

Para Shen Yun, a falta dos serviços do Google deixou de ser um foco. “Quando deixámos de ter serviços da Google nos telemóveis, as operadoras estavam muito preocupadas que as pessoas fossem devolver os nossos telemóveis. Queriam garantias de que podíamos compensar as perdas”, admite o responsável pela unidade de consumo da Huawei em Portugal. “Conseguimos convencê-las a esperar pelos resultados e o que temos visto é que a taxa de devolução não aumentou. Hoje, há mais confiança.”

No segundo trimestre de 2020, a Huawei foi a marca que mais enviou smartphones para retalho em todo o mundo, em parte devido a uma estratégia de promoção agressiva adoptada pela marca para manter os clientes. Foi em 2019 que a Huawei se viu barrada de utilizar aplicações da Google (isto inclui a aplicação do Google Maps, o Gmail, YouTube, entre outros, bem como a loja de aplicações) devido a uma disputa comercial entre os EUA e China.

“Em Portugal, a Huawei continua na segunda posição em termos de smartphones”, confirma ao PÚBLICO Francisco Jerónimo, analista na IDC. “A quota de mercado é inferior à do ano passado, mas não tem caído tão rapidamente em Portugal”, ressalva o analista, explicando que os resultados são “fruto do investimento que a marca continua a fazer com os parceiros comerciais e de uma política forte de descontos no último ano.” Com isto, é o segmento de média gama é o que mais cresce. “Existiu uma transferência de portfólio de um gama muito alta para uma gama mais media quando antes o foco era apostar nos produtos de alta gama.”

A apesar de a Huawei dizer que não precisa do Google, dada a oportunidade Francisco Jerónimo acredita que a marca optaria por voltar a ter serviços do Google em alguns modelos. “A curto prazo, os serviços do Google dariam o crescimento que a marca precisa. Isso não quer dizer que desistissem do seu ecossistema, mas a transição seria mais gradual”, reforça. 

Em Portugal, o segmento mais popular entre os consumidores continua a ser o “de média gama”, com preços entre os 100 e os 300 euros (60% do mercado em Portugal), mas a pandemia de covid-19 trouxe novas pessoas para o segmento de topo. Mesmo com as dificuldades económicas. “É um investimento”, explica Yun. “Há muitas pessoas a mudar de um telefone média gama para um telefone topo de gama porque hoje em dia, o smartphone é uma ferramenta cada vez mais útil. É como um pequeno computador. Muitas pessoas não usam só para chamadas ou para navegar na Internet, mas para trabalhar.”

As expectativas para o final do ano são boas. “Por norma, a época de final de ano é uma altura em que as pessoas procuram presentes para a família. Este ano é um pouco diferente, com o problema da pandemia e o facto desta segunda vaga parecer ser ainda pior que a primeira, mas estamos confiantes. Na primeira vaga de infecções reforçamos os serviços online”, reforça Shen Yun. “Da experiência dos últimos nove meses, mesmo com o problema do novo coronavírus, a procura das pessoas não mudou. O que mudou foi a forma como procuram”, insiste. “Até ao final do ano gostaríamos de ter uma loja completamente online com mais escolhas e apoio para o consumidor.”

Editado: Acrescentadas declarações de Francisco Jerónimo, analista da IDC, sobre os serviços da Google.