Azerbaijão e Arménia trocam acusações sobre mortes de civis em bombardeamentos

Apesar das constantes acusações mútuas, os dois lados do conflito em Nagorno-Karabakh negam estar a atacar civis, numa escalada de violência que matou mais de mil pessoas no último mês.

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Destroços de uma maternidade ter sido bombardeada em Stepankert, capital do enclave de Nagorno-Karabakh EPA/VAHRAM BAGHDASARYAN /PHOTOLURE

O Azerbaijão acusou a Arménia de ser responsável pela morte de pelo menos 21 civis e por dezenas de feridos na cidade azerbaijana de Barda, a Nordeste do enclave de Nagorno-Karabakh, bombardeada esta quarta-feira.

A confirmar-se, este é o ataque mais mortífero num só dia contra civis desde o início da escalada do conflito entre arménios e azerbaijanos no passado dia 27 de Setembro, que causou mais de mil mortos no último mês, incluindo mais de 100 civis.

No entanto, a Arménia nega as acusações e responsabiliza o Azerbaijão pelos bombardeamentos na cidade de Shusha, em Nagorno-Karabakh, que causou a morte de pelo menos um civil, e em Stepankert, capital do enclave, onde uma maternidade foi atingida, não existindo registo de vítimas. 

Na terça-feira, o Azerbaijão acusou a Arménia de outro ataque com mísseis em Barda, que causou a morte de quatro civis, incluindo uma criança de dois anos.

A troca de acusações entre Bacu e Ierevan acontece dias depois de os dois lados do conflito terem violado um novo cessar-fogo, o terceiro nas últimas semanas, que desta vez foi patrocinado pelos Estados Unidos.

O cessar-fogo humanitário foi anunciado no domingo pelo secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, depois de Bacu e Ierevan se comprometerem a respeitar a trégua. No entanto, poucas horas depois, os dois lados acusavam-se mutuamente de novas violações, deitando por terra o fim da violência.

Em visita à Índia na terça-feira, Pompeo falou separadamente com o primeiro-ministro arménio, Nikol Pashinyan, e com o Presidente azerbaijano, Ilham Aliyev, pressionando os dois líderes a comprometerem-se com o fim das hostilidades e com a procura de uma solução diplomática.

No entanto, Arménia e Azerbaijão parecem cada vez mais distantes, num conflito que se agudizou no final de Setembro e que é considerado o momento de maior tensão no Sul do Cáucaso em quase 30 anos – entre 1991 e 1994, uma guerra entre os dois países causou a morte de mais de 30 mil pessoas.

Nagorno-Karabakh é internacionalmente reconhecido como território azerbaijano, mas a maioria dos seus habitantes são arménios e o enclave é controlado por separatistas daquele país.

O Azerbaijão rejeita qualquer solução para o conflito que passe por um controlo arménio de Nagorno-Karabakh. A Arménia, por seu turno, considera o enclave parte integrante do seu território histórico e defende a sua intervenção como forma de proteger a sua população.

Na quinta-feira, o Grupo de Minsk da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), formado em 1994 para mediar o conflito, liderado por Rússia, França e Estados Unidos, reúne-se como os ministros dos Negócios Estrangeiros da Arménia e do Azerbaijão em Genebra, numa tentativa de os dois lados chegarem a uma solução diplomática.

O Azerbaijão tem na Turquia o seu principal aliado no conflito, e os dois países têm reivindicado um papel mais activo de Ancara numa futura solução de paz. Já a Arménia conta com o apoio da Rússia, o que aumenta o receio de que Ancara e Moscovo se possam precipitar num embate directo em Nagorno-Karabakh, com consequências imprevisíveis para a região.

Na terça-feira, os Presidentes da Turquia e da Rússia falaram ao telefone e ambos manifestaram preocupação com a presença de combatentes oriundos do Médio Oriente no Cáucaso.

Recep Tayyip Erdogan afirmou que militantes curdos estão a combater ao lado dos arménios, enquanto Vladimir Putin denunciou a presença de mercenários sírios em território azerbaijano.

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