Arménios e azerbaijanos violam também o novo cessar-fogo no Nagorno-Karabakh

Poucos minutos depois do início da trégua, anunciada pelos EUA, já o Ministério da Defesa do Azerbaijão acusava a Arménia de a violar e este país respondia que tinham sido os azerbaijanos a fazê-lo.

O ministro dos Negócios Estrangeiros azerbaijano, Jeyhun Baraymov, com o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeov
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O ministro dos Negócios Estrangeiros azerbaijano, Jeyhun Baraymov, com o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeov HANNAH MCKAY/Reuters

O novo acordo de cessar-fogo no Nagorno-Karabalk, anunciado no domingo pelos Estados Unidos, acabou quase tão rapidamente como o anterior, negociado pela Rússia, e com a mesma troca de acusações entre Arménia e Azerbaijão sobre quem foi o primeiro a violar a trégua.

Na rapidez das acusações, o Governo do Azerbaijão foi o primeiro a apontar o dedo, com um comunicado do Ministério da Defesa emitidos poucos minutos depois do que deveria ter sido o início do cessar de hostilidades: “As forças arménias, em violação do novo regime de cessar-fogo humanitário, estão a disparar contra a cidade de Terter e aldeias da região “.

O Azerbaijão reagiu logo a seguir com a refutação dessas acusações, através de uma mensagem no Facebook do porta-voz do Ministério da Defesa arménio, Shushan Stepanian, citado pela agência Efe: “Às 08h45 [04h45 em Lisboa], as forças armadas do Azerbaijão abriram fogo de artilharia contra posições do exército de Karabakh no sector nordeste”.

O novo “cessar-fogo humanitário” foi anunciado no domingo pelos Estados Unidos e os dois países, depois das reuniões no sábado do subsecretário de Estado norte-americano, Stephen Biegun, com os ministros dos Negócios Estrangeiros da Arménia, Zohrab Mnatsakanyan, e do Azerbaijão, Jeyhun Bayramov.

Segundo o comunicado do Departamento de Estado dos EUA, os chefes da diplomacia de Arménia e Azerbaijão “reafirmaram os compromissos dos seus países em implementar e cumprir o cessar-fogo humanitário, acordado em Moscovo, a 10 de Outubro”.

A trégua humanitária deveria ter entrado em vigor às 08h00 locais (4h00 em Lisboa).

Com a Rússia e a França, os Estados Unidos fazem parte do trio de coordenação do Grupo de Minsk, da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), envolvido na resolução do conflito de Nagorno-Karabakh.

O conflito no enclave remonta aos tempos da União Soviética, quando no final da década de 1980 o território azerbaijano de Nagorno-Karabakh, povoado principalmente por arménios, solicitou a sua incorporação na vizinha Arménia, deflagrando uma guerra que causou cerca de 25.000 mortes.

No final do conflito, que durou até 1994, as forças arménias assumiram o controlo de Nagorno-Karabakh e ocuparam territórios do Azerbaijão, a que chamam “faixa de segurança”.

O Azerbaijão afirma que a solução para o conflito com a Arménia passa necessariamente pela libertação dos territórios ocupados, uma exigência que tem sido apoiada por várias resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

Por seu lado, a Arménia apoia o direito à autodeterminação de Nagorno-Karabakh e defende a participação de representantes do território separatista nas negociações para a resolução do conflito.

De acordo com relatos de organizações internacionais, a recente escalada do conflito em Nagorno-Karabakh já causou mais de 800 mortes, incluindo uma centena de civis.

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