Morreu Jiri Menzel, um dos nomes da Nova Vaga Checa

Vencedor do Óscar pelo seu primeiro filme, Comboios Rigorosamente Vigiados, realizador faleceu aos 82 anos na sua República Checa natal.

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Jiri Menzel no Festival de Berlim em 2007 Tobias Schwarz/Reuters

O cineasta checo Jiri Menzel nunca atingiu o mesmo reconhecimento dos seus conterrâneos Vera Chytilova (1929-2014) ou Milos Forman (1932-2018), mas foi uma das figuras de proa da “Nova Vaga Checa” que trouxe uma lufada de ar fresco ao cinema da Cortina de Ferro durante os anos da Guerra Fria. Menzel, que morreu no sábado aos 82 anos de idade após doença prolongada, venceu o Óscar de melhor filme logo à primeira longa, Comboios Rigorosamente Vigiados (1966), baseado num romance do satirista Bohumil Hrabal (1914-1997).


O filme tornou-se uma das obras-chave de um período fervilhante para o cinema checo, a par de Jovens e Atrevidas, de Vera Chytilova (1966), ou Os Amores de uma Loura (1965) e O Baile dos Bombeiros (1967), de Milos Forman. Menzel tinha, aliás, já dirigido um dos cinco sketches de um filme-chave do movimento, Pearls of the Deep (1965), obra colectiva baseada em contos de Hrabal e co-assinada por Chytilova, Jaromil Jires, Jan Nemec e Evald Schorm.

Natural de Praga, onde nasceu em 1938, filho do escritor Jozef Menzel, Jiri formou-se no início da década de 1960 na FAMU, a Escola de Cinema e Televisão da então capital da Checoslováquia, e estreou-se como actor em 1962 numa curta da colega Chytilova, experimentando igualmente durante a década de 1960 a encenação teatral. 

A repressão posterior à Primavera de Praga de 1968 acabaria por punir a sua geração de cineastas que tinha projectado internacionalmente uma imagem de frescura e irreverência satíricas. No seu caso, Larks on a String, a sua quarta longa, adaptando de novo Hrabal – de quem se tornou amigo próximo –, foi proibida pelas autoridades e valeu-lhe uma interdição de filmar. Rodada em 1969, Larks on a String só teve estreia em 1990, vencendo nesse mesmo ano o Urso de Ouro em Berlim (ex-aequo com O Enigma da Caixa de Música, de Costa-Gavras).

Menzel, igualmente actor em pouco menos de uma centena de filmes, acabaria por regressar à realização em 1974, assinando ao todo 16 longas-metragens e filmando também para televisão. Recebeu duas menções especiais em Veneza por Cutting It Short (1981), grande sucesso de bilheteira no seu país natal, e The Life and Extraordinary Adventures of Private Ivan Chonkin (1994); voltou a estar nomeado para o Óscar de melhor filme estrangeiro por Sweet Little Village (1985); e esteve a concurso no festival de Berlim em 2006 com Eu Servi o Rei de InglaterraO seu último filme, estreado em 2013, foi The Don Juans. 

A notícia do seu falecimento foi dada no domingo pela esposa, Olga, que lhe agradeceu a sua “coragem, bom gosto, extraordinária vontade de viver e humor”. 

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