Covid-19: Homem de 25 anos é o primeiro caso de reinfecção identificado nos EUA

Residente do estado norte-americano de Nevada ficou infectado pela primeira vez em Abril e desenvolveu sintomas leves. Voltou a ser diagnosticado cerca de 48 dias depois, em Junho, mas desta segunda vez desenvolveu sintomas mais graves da covid-19.

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Testes à covid-19 em Houston, Texas REUTERS

Um homem de 25 anos, residente no estado norte-americano do Nevada, é o primeiro caso de reinfecção pelo novo coronavírus a ser identificado nos Estados Unidos. De acordo com um estudo divulgado esta sexta-feira pela Universidade do Nevada, documento este que não foi ainda não foi revisto por pares, o homem ficou infectado pela primeira vez em Abril e desenvolveu sintomas leves. Voltou a ser diagnosticado cerca de 48 dias depois, em Junho, mas desta segunda vez desenvolveu sintomas mais graves da covid-19.

“É provável que este estudo represente um exemplo claro de reinfecção. As reinfecções são possíveis, era algo que já sabíamos porque a imunidade nunca é de 100%”, refere Kristian Anderson, professor de imunologia e microbiologia do Instituto de Pesquisa Scripps, na Califórnia, num comentário enviado por e-mail à agência Reuters.

Os investigadores afirmam que foram capazes de demonstrar, através da testagem, que o vírus associado a cada uma das infecções do homem de 25 representa estirpes diferentes do SARS-CoV-2. A equipa sublinha que os casos de reinfecção são raros, mas dizem que os resultados contribuem para a hipótese de que a exposição inicial ao vírus pode não resultar em imunidade total em todos os casos.

“Não sabemos com que frequência ocorrem as reinfecções ou como este aspecto varia ao longo do tempo”, refere Anderson. “Antes de termos estudos mais amplos sobre estas questões, não podemos concluir que um único caso de reinfecção terá impactos na imunidade da covid-19 ou no desenvolvimento de uma vacina”.

Se este estudo for aprovado pelos pares deverá ser publicado na revista científica The Lancet.

Esta semana, especialistas holandeses e belgas confirmaram a identificação de pelo menos um caso de reinfecção pelo novo coronavírus nos respectivos países, um dia depois de investigadores de Hong Kong terem divulgado o primeiro caso deste tipo a nível mundial.

Depois destes anúncios, a Organização Mundial da Saúde (OMS) destacou que os casos de reinfecção pelo novo coronavírus são muito raros. “De vez em quando, recebemos relatos sem fundamentação científica de pessoas que fizeram o teste com resultado negativo e depois positivo, mas não ficou claro até agora se isso é um problema com o teste em si ou se houve pessoas que realmente foram infectadas pela segunda vez”, afirmou na segunda-feira a porta-voz da OMS Margaret Harris, citada pela Lusa. Embora admita que possam surgir mais casos, Margaret Harris destaca que “não parece ser uma ocorrência comum” e que é necessário “entender o que isso significa em termos de imunidade”.

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