Um centro cultural com rodas fez-se à estrada para criar união (mantendo o distanciamento)

Com A Porta entreaberta por culpa do novo coravírus, Gui Garrido passou "muito tempo à janela", a conversar com programadores e artistas sem palco. "Como é que vamos continuar a fazer o que acreditamos, e que achamos ser necessário, respeitando as normas de segurança?", era a pergunta. A resposta estava parada na garagem há anos e, entre 1 e 12 de Julho, o Mapas fez-se à estrada.

A carrinha Nissan Cabstar F22, a "mini-transformer, que em 25 minutos se converte num centro cultural móvel", percorreu Leiria e foi até quem a quisesse ver passar. Da primeira viagem, ficam documentadas quatro visões sobre os bairros da cidade. No episódio que o P3 partilha, produzido pela Casota CollectiveLuís Gueve Gomes relembra as festas no Bairro Sá Carneiro, um dos pontos de paragem da viagem longe dos sítios e públicos do costume

Pelo caminho, "houve muito diálogo", instalações, concertos, um mapa de rostos de leirienses e a certeza de que "a segurança é possível de retomar e reconstruir". "As pessoas querem estar perto, dentro da possibilidade do estar perto. Querem voltar a ver, querem voltar a sentir o que é estar em conjunto a testemunhar alguma coisa", sentiu Gui, que assume a direcção artística do ponto móvel de partilha com António Pedro Lopes. "Num momento tão delicado, deixarem-nos entrar, deixarem que os ouvíssemos. Era essa vontade que tínhamos, de aproximação às comunidades e de entrega da cultura porta a porta com todo o devido respeito de quando estás a entrar num território que não é o teu, e que é muito diferente de quando organizas um concerto, uma exposição ou um festival num recinto onde só entra quem quer vir."

Porque é "um projecto antigo que nasce a reflectir sobre as coisas que, já existindo, foram agudizadas pela pandemia", há vontade de levar o Mapas a passear por outras ruas. Mesmo quando A Porta voltar a abrir. "Parece que, depois disto, há uma primeira vez para tudo."

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