Investigadores testam tecnologia de detecção de fogos com aeronaves

Projecto recolhe imagens com câmaras de vídeo instaladas em aeronaves tripuladas ou não tripuladas.

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A aeronave durante a sessão de testes e demonstração do projecto Firefront, no aeródromo de Torres Vedras CARLOS BARROSO/Lusa

Uma equipa portuguesa está a desenvolver um sistema de identificação de incêndios a partir de sensores e imagens recolhidas por câmaras de vídeo instaladas em aeronaves tripuladas ou não tripuladas. O projecto de investigação Firefront, que foi apresentado esta terça-feira no Aeródromo de Santa Cruz, em Torres Vedras, está a testar câmaras de vídeo para recolha de imagens e sensores de detecção de fogos instalados em aeronaves.

O projecto pertence a um consórcio, que integra a Força Aérea Portuguesa, o Instituto de Sistema e Robótica do Instituto Superior Técnico (IST), o Instituto de Telecomunicações de Lisboa, o Aeroclube de Torres Vedras, o centro de investigação de fogos ADAI e a empresa privada Uavision.

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Imagens captadas por drone que disponibilizadas em tempo real durante a sessão de testes CARLOS BARROSO/Lusa

Alexandre Bernardino, investigador do IST e coordenador do projecto, explicou, na sua apresentação, que um sistema composto por câmaras de vídeo e sensores instalado em aeronaves tripuladas ou não tripuladas está a ser testado na identificação e monitorização de fogos.

A tecnologia permite enviar dados e imagens em tempo real para os agentes da Protecção Civil e prever a propagação das frentes de incêndio, em função do relevo e da biomassa existentes nos cenários reais. A solução tecnológica oferece um mapeamento exacto dos focos do incêndio, mesmo em casos de visibilidade reduzida por causa do fumo, e a previsão da evolução das frentes do fogo florestal.

O projecto poderá, dentro de dois anos, vir a ser aplicado na prevenção e combate a incêndios, fornecendo dados para suporte à decisão na gestão dos grandes incêndios florestais. Com um investimento de 300 mil euros, financiado na totalidade pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, vai estar nos próximos dois anos em fase de ensaios de campo no Aeroclube de Santa Cruz e em análise dos dados.

Na apresentação do projecto houve um simulacro de fogo e foi usada uma aeronave não tripulada, com um peso de 50 quilogramas, uma velocidade de 90 quilómetros por hora e uma capacidade de voo até 12 horas, com a tecnologia de detecção de fogos instalada, cujas imagens foram enviadas em tempo real através da Internet.

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O ministro da Ciência, Manuel Heitor (à direita), durante a sessão de testes do Firefront CARLOS BARROSO/Lusa

O ministro da Ciência e Tecnologia, Manuel Heitor, frisou que o projecto resultou do desafio lançado à ciência após os incêndios de 2017, disponibilizando financiamento para incentivar projectos inovadores de prevenção e combate a incêndios, com o intuito de reduzir o risco de incêndio.

O projecto pode ser também adaptado à vigilância marítima de navios ou de náufragos, accionando meios de busca e salvamento no último caso.

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