Covid-19: com o aumento de casos, vários países começam a reintroduzir medidas de confinamento

Espanha, Alemanha, Coreia do Sul e China são alguns dos países que recuaram e reintroduziram medidas mais restritivas. Em sentido inverso, Reino Unido e França levantaram várias restrições.

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Surto em Gütersloh obrigou a Alemanha a impor um confinamento local FRIEDEMANN VOGEL/EPA
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Reino Unido anunciou algumas medidas de desconfinamento TOBY MELVILLE/Reuters

À semelhança de Portugal, que anunciou o primeiro recuo no desconfinamento na região de Lisboa na segunda-feira, proibindo os ajuntamentos acima de dez pessoas, vários países voltam a impor restrições para conter o aumento de casos de covid-19.

Em Espanha, apesar de o país ter saído do estado emergência no sábado passado, o Governo admitiu reintroduzir medidas mais restritivas na mobilidade dos cidadãos.

Em causa estão os 36 surtos de SARS-CoV-2 no país, 12 dos quais controlados, sendo que, na segunda-feira, foram anunciadas limitações em três concelhos da província espanhola de Huesca, onde foi detectado um surto no sector agrícola – as autoridades recomendaram que os habitantes destes três concelhos evitassem saídas desnecessárias e impuseram proibições no sector hoteleiro.

O Governo espanhol garante que os surtos activos estão controlados, no entanto, a “vice” do executivo de Pedro Sánchez admite que, caso seja necessário, o estado de emergência pode ser reactivado. “Se chegarmos a um momento em que tenhamos uma situação grave, o Governo pode perfeitamente decretar o estado de emergência numa parte do território ou até na sua totalidade”, afirmou Carmen Calvo ao canal televisivo espanhol Antena 3.

Já na Alemanha, no estado da Renânia do Norte-Vestefália, o segundo maior do país e o mais populoso, foi decretado um confinamento local no município de Gütersloh. Na origem da decisão, que levou ao encerramento de creches, escolas, cinemas, ginásios e bares, está um surto num matadouro da empresa Tönnies, onde já se registaram mais de 1550 casos de infecção.

As autoridades alemãs garantem que a situação está controlada, apesar de o R0, indicador de quantas pessoas são contagiadas por uma infectada, estar a oscilar entre 2 e 3. As medidas de contenção vão estar em vigor, pelo menos, até final do mês de Junho.

Na Coreia do Sul já se fala em segunda vaga de covid-19 e o Governo de Moon Jae-in garantiu que as medidas de confinamento serão reintroduzidas caso o número de novos casos não diminua rapidamente.

Segundo as autoridades de saúde sul-coreanas, a segunda vaga começou em Maio, em Seul, e é explicada, em parte, pela transmissão entre jovens, que começaram a aglomerar-se nos bares da capital assim que foram levantadas as medidas de confinamento.

Apesar de, oficialmente, ainda não se falar em segunda vaga na China, Pequim começou a fechar-se na semana passada, depois de um surto detectado no mercado de Xinfadi, que fornece mais de 80% das frutas e vegetais à capital, além de carne e peixe.

Nas últimas 24 horas, a China detectou 22 novos casos de infecção, 13 deles em Pequim, contabilizando 245 casos desde o início do surto. As autoridades impuseram medidas restritivas nas zonas de maior risco e aumentaram a capacidade de execução de testes para um total de um milhão por dia.

Israel, que tem registado mais de 300 infecções diárias nos últimos dias, também parece disposto a impor medidas mais restritivas. “Se não mudarmos imediatamente o nosso comportamento em relação ao uso de máscara e ao distanciamento social, teremos de ser nós [Governo], contra a nossa vontade, a impor um regresso ao confinamento”, afirmou Benjamin Netanyahu, no fim-de-semana.

De acordo com o Times of Israel, o Governo israelita poderá reintroduzir medidas de rastreamento através da geolocalização de telemóveis, um programa dos serviços de segurança israelita (Shin Bet) que habitualmente apenas é utilizado em operações de contraterrorismo.

Também a Nova Zelândia, que chegou a cantar vitória por ter conseguido travar a transmissão do novo coronavírus no país, teve de voltar atrás e impor algumas medidas restritivas, após terem sido detectados novos casos de infecção.

O Governo de Jacinda Ardern restabeleceu a obrigatoriedade de 14 dias de quarentena a quem chega à Nova Zelândia, bem como a apresentação de um teste negativo antes de a quarentena ser abandonada. “Enquanto o mundo entra nova fase perigosa, nós mantemo-nos na fase de contenção na fronteira”, afirmou a primeira-ministra neozelandesa, citada pelo The Guardian.

Nos Estados Unidos, o país mais afectado pela pandemia, os casos de infecção estão a disparar entre os jovens, à semelhança do que acontece em Portugal, particularmente nos estados do Sul. A Florida ultrapassou os 100 mil casos e, só na segunda-feira, registou mais três mil casos. 

O governador Ron DeSantis garante que, para já, não equaciona reimpor o confinamento no estado, no entanto, os governos locais podem impor as suas próprias restrições.

Enquanto alguns estados adiaram o regresso ao trabalho, outros reintroduziram restrições. É o caso do Kansas e do Louisiana, onde o número de infecções subiu significativamente nos últimos dias. “É claro que a covid-19 ainda está muito presente no Louisiana, e, à medida que vemos mais pessoas a testarem positivo e a serem admitidas nos hospitais, simplesmente não podemos estar prontos para passar para a próxima fase”, afirmou o governador. John Bel Edwards, citado pelo New York Times

Reino Unido e França aliviam medidas

Em sentido inverso, no Reino Unido, o primeiro-ministro britânico anunciou esta terça-feira o levantamento de algumas medidas de confinamento. Bares, restaurantes, cabeleireiros, hotéis, ginásios, parques, cinemas e museus vão poder reabrir a partir do próximo dia 4 de Julho, tendo a regra de distanciamento social de dois metros sido reduzida para um metro.

Também será permitido que famílias diferentes se encontrem dentro ou fora de casa, desde que o distanciamento social seja respeitado. Ao anunciar as medidas, contudo, Boris Johnson deixou bem claro que o Governo poderá recuar caso seja necessário: “Como já vimos noutros países, vão existir surtos para os quais serão necessárias medidas locais, e não hesitaremos em reintroduzir restrições, mesmo a nível nacional, caso seja necessário.”

Já em França, que na segunda-feira reabriu as escolas para os menores de 15 anos, o Governo está a incentivar os trabalhadores a regressarem aos seus postos de trabalho. Durante esta semana a ministra do Trabalho, Muriel Pénicaud, vai anunciar um novo protocolo para os trabalhadores, para que o teletrabalho “deixe de ser a norma”.

Entre as propostas, reveladas pelo jornal francês Les Echos, está a diminuição da distância de segurança entre trabalhadores, que passará de quatro para um metro, à semelhança do que acontece nas escolas. O teletrabalho deverá continuar apenas para os grupos de risco ou para quem viva com pessoas vulneráveis ou com doenças graves.

O uso de máscaras deixará de ser obrigatório, excepto quando a distância de segurança de um metro não possa ser cumprida. O Governo francês admite que uma segunda vaga possa atingir o país no Outono ou no Inverno, mas garante estar preparado.

A pandemia de covid-19 já causou a morte de pelo menos 472.793 pessoas e infectou mais de 9,1 milhões de pessoas em todo mundo, das quais mais de 4,5 milhões já recuperaram, de acordo com os dados da Universidade Johns Hopkins.

Os Estados Unidos são o país mais afectado, tanto em termos de mortos (120.451), como de infectados (2,312 milhões). Depois dos EUA, os países com mais óbitos são o Brasil (51.271), o Reino Unido (42.731), a Itália (34.657) e a França (29.666).

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