Nova biografia não autorizada de Melania revela uma mulher influente e calculista

Enigmática, introvertida e com uma estratégia muito bem definida. Um novo retrato da primeira-dama norte-americana revela que a ex-modelo tem uma agenda própria.

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Melania nasceu, em 1970, numa pequena cidade da então Jugoslávia REUTERS/Carlos Barria
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Em 1989, mudou de nome e trocou a universidade pelo mundo da moda REUTERS/Carlos Barria
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O processo de obtenção do visto de permanência nos EUA permanece por esclarecer REUTERS/Axel Schmidt
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Mesmo depois de ocupar a Casa Branca, Melania manteve a dupla nacionalidade REUTERS/Jim Young
Primeira dama
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Melania obteve nos escândalos de Trump os argumentos de que necessitava para renegociar o acordo pré-nupcial REUTERS/Jonathan Ernst
Estados Unidos
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O livro alega que a ex-modelo tem a sua própria agenda, distorcendo facilmente a realidade REUTERS/Mark Kauzlarich

Trata-se de um livro não autorizado e foi quase preciso arrancar a história a ferros: no total, foram entrevistadas mais de 120 pessoas, em cinco países, para que a jornalista do The Washington Post Mary Jordan conseguisse desenterrar a história da primeira-dama dos EUA e traçar um retrato, que ainda se mostra um quanto incompleto. Mesmo que tivesse tido a ajuda de quem a conheceu na infância na Eslovénia, de vários membros do pessoal de Trump e até da própria, sobre quem já tinha escrito um extenso perfil.

Em The Art of Her Deal: The Untold Story of Melania Trump, lançado esta terça-feira, Mary Jordan apresenta uma Melania que consegue ser simpática, mas que nem sempre o é, descreve o The Washington Post, e que está onde quer e tem precisamente o que quer, deitando por terra as teorias de que a ex-modelo eslovena se sentiria presa no matrimónio com o Presidente dos EUA.

A repórter da secção de política do jornal norte-americano, que já venceu o Prémio Pulitzer, faz ainda algumas revelações, como a razão pela qual Melania não se mudou de imediato para a Casa Branca, após as eleições.

Na época, disse-se que haveria uma zanga por causa da gravação que veio a público em que se ouve Donald Trump a afirmar que “quando se é uma estrela, elas deixam fazer isso. Pode-se fazer tudo. Agarrá-las pela rata”, e cuja data era posterior ao casamento com Melania Trump. Já a primeira-dama escudou-se na necessidade de o filho do casal, Barron, terminar o ano lectivo em Manhattan.

Mas será na primeira que residirá um bom pedaço da verdade: não tanto a parte da zanga, mas a existência dessa gravação que deu a Melania os argumentos de que necessitava para renegociar o acordo pré-nupcial, avança o El País que cita o livro. E só depois disso se mudou para Washington, D.C..

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Dois lados da mesma moeda

Enigmática, introvertida e com uma estratégia muito bem definida. Segundo o The Washington Post, Mary Jordan apresenta Melania e Donald como duas faces de uma mesma moeda, contrariando a ideia de que a mulher do actual Presidente norte-americano seria uma vítima — uma teoria que se lia nas entrelinhas da biografia não autorizada Free, Melania, escrita pela jornalista da CNN Kate Bennett, em que se apresentava a primeira-dama como uma pessoa “amável e afável”.

Já a jornalista do The Washington Post descreve uma Melania mais influente e calculista — agora, mas também quando, em 1989, trocou a arquitectura em Ljubljana, a capital eslovena, pelas passerelles.

Das suas origens, Mary Jordan ficou a saber que a actual primeira-dama, cujo nome de registo é Melanija Knavs, nasceu numa pequena cidade da então Jugoslávia, a 26 de Abril de 1970, no seio de uma família humilde: o pai Viktor era motorista e a mãe, Amalija, trabalhava numa fábrica de confecção de têxteis. E, mesmo sem acesso a luxos, a bela Melanija usufruiu da habilidade materna para a costura para se apresentar sempre de forma elegante.

Até que, atingida a maioridade, Melanija mudou de nome (para Melania Knauss) e abandonou os estudos universitários para se dedicar a uma carreira pouco bem-sucedida de modelo, mas que a levou a viajar por toda a Europa. Um grito de independência que aconteceu no mesmo ano em que se dá a queda do Muro de Berlim, que daria origem ao fim da Jugoslávia, com a Eslovénia a autoproclamar-se independente, em 1991.

A viagem para os Estados Unidos foi conseguida com um visto de turismo e com a ajuda de um italiano que fazia a gestão da sua carreira, mas a eslovena acabou por conseguir ir ficando até conquistar um exclusivo “Einstein Visa”, reservado aos que se destacam nas suas áreas de actuação, como reputados investigadores ou vencedores do Nobel — só não se sabe muito bem como: a documentação nunca foi tornada pública.

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Ao serviço de si mesma

À medida que Mary Jordan discorre sobre o temperamento e episódios de vida de Melania, torna-se claro que a ex-modelo tem a sua própria agenda, distorcendo facilmente a realidade (diz ser licenciada quando não acabou o curso; aclama a sua fluência em cinco línguas, mas nunca lhe foram ouvidas palavras noutros idiomas que não o inglês e o esloveno, diz a jornalista).

Também se mostra como Melania conseguiu ser caso único ao manter a dupla nacionalidade, mesmo depois de ocupar a Casa Branca, uma mais-valia que passou ao filho Barron — com quem fala em esloveno para desespero, diz a repórter, de Trump.

Simultaneamente, tão depressa apoia o marido como lhe mostra sorrisos amarelos na presença dos fotógrafos. E se o facto poderia ser associado com uma incapacidade em ser hipócrita, os seus actos seguem noutro sentido. Afinal, casada com alguém que fomenta o cyberbullying, Melania dá a cara por acções de luta contra este comportamento. E parece confortável com isso.

Tudo somado, Melania Trump aparece nesta biografia como alguém muito seguro de si próprio, ao contrário de outros retratos que já lhe foram pintados — até porque a sua discrição tem aguçado a curiosidade. Porém, há algo em que os vários livros são condizentes: a relação com Ivanka Trump pauta-se pela rivalidade entre as duas mulheres, e não parece haver forma de se entenderem.

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