Cientistas voltam a realçar importância das máscaras para reduzir a transmissão da covid-19

Os investigadores avisam que são necessários mais estudos sobre a eficácia da filtragem do vírus em diferentes tipos de máscaras.

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Hannah McKay/Reuters

Três cientistas dos Estados Unidos e de Taiwan publicaram esta quarta-feira na revista científica Science uma pequena análise sobre a redução da transmissão do coronavírus SARS-CoV-2 baseada em diferentes estudos. Como ainda se sabe pouco sobre o comportamento aéreo dos aerossóis (pequenas partículas que permanecem suspensas no ar) infecciosos deste vírus, ainda é difícil definir uma distância física completamente segura. Por isso, os investigadores apelam ao uso adequado de máscaras na comunidade e indicam que são uma barreira crucial na transmissão do coronavírus.

Os três cientistas realçam que as recomendações da Organização Mundial da Saúde para o distanciamento social de cerca de dois metros e da lavagem das mãos são baseadas em estudos sobre as gotículas respiratórias dos anos 30. E notam que, quando esses estudos foram feitos, não existia tecnologia para se detectarem aerossóis com menos de um micrómetro (que corresponde à milésima parte de um milímetro).

Ora, em estudos recentes verificou-se que tosse e espirros mais intensos podem libertar gotículas de vírus que podem alcançar mais de seis metros e milhares de aerossóis que podem viajar ainda mais. Concretamente quanto ao SARS-CoV-2, também já se provou que pode ser transmitido através de aerossóis. Por exemplo, um estudo estimou que se alguém falar alto durante um minuto poderá gerar entre 1000 e 100.000 aerossóis com viriões, ou partículas de vírus. Esses aerossóis podem ainda acumular-se nos locais fechados e sem circulação de ar, onde podem ser mais facilmente inalados.

Como ainda se sabe pouco sobre o comportamento aéreo dos aerossóis infecciosos, é ainda difícil definir uma distância física mesmo segura. Por isso, os três cientistas recomendam o uso adequado de máscaras como uma barreira física importante e uma forma de reduzir o número de partículas do vírus infecciosas que podem ser exaladas. “Por estas razões, é importante usar adequadamente máscaras em locais fechados mesmo com distanciamento de seis pés [cerca de 1,8 metros]”, escrevem na análise os autores da Universidade da Califórnia em São Diego, nos Estados Unidos, e da Universidade Nacional Sun Yat-sen​, em Taiwan. Assinala-se ainda que devem ser utilizadas em locais onde se podem acumular elevadas concentrações de vírus, como centros de saúde, aviões, restaurantes e locais com muita gente com ventilação reduzida.

“As máscaras fornecem uma barreira crucial, reduzindo o número de vírus infecciosos da exalação da respiração, sobretudo de pessoas assintomáticas e das que têm sintomas leves”, notam na análise. “O material das máscaras cirúrgicas reduz a probabilidade e gravidade de covid-19, diminuindo substancialmente as concentrações virais suspensas no ar. As máscaras também protegem dos aerossóis do SARS-CoV-2 os indivíduos que não estão infectados.” Os cientistas acrescentam ainda que são necessários mais estudos sobre a eficácia da filtragem de diferentes tipos de máscaras.

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