Netanyahu: Israel não vai desperdiçar oportunidade para anexar a Cisjordânia

O primeiro-ministro israelita diz que nunca houve uma oportunidade como esta desde a criação de Israel, em 1948. Plano apresentado pelos Estados Unidos em Janeiro serve de base para a anexação formal.

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A anexação da Cisjordânia é um velho desejo de Benjamin Netanyahu Reuters

Israel não vai desperdiçar a “oportunidade histórica” para estender a sua soberania a partes da Cisjordânia, disse esta segunda-feira o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, apelando para que seja uma das principais prioridades do seu novo Governo. 

Os palestinianos consideram esse passo uma anexação ilegal de terras ocupadas nas quais querem construir um futuro Estado. Na semana passada, declararam o fim da cooperação de segurança com Israel e o seu aliado, os Estados Unidos, em protesto por este plano territorial. 

Netanyahu prometeu pôr os colonatos judaicos e o Vale de Jordão, na Cisjordânia, sob soberania israelita e apontou 1 de Julho como data para o início da discussão no seio do seu Governo, o que levantou sinais de alarme na União Europeia. 

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, caracterizou o assunto como complexo e disse que requer coordenação com Washington, enquanto o novo parceiro governativo de Netanyahu, o centrista Benny Gantz, tem sido ambíguo sobre a anexação de facto. 

Numa reunião na segunda-feira com deputados do seu partido, o Likud (direita), Netanyahu definiu as mudanças de terra na Cisjordânia como “talvez a primeira tarefa em importância, em muitos aspectos”, a serem realizadas pelo Governo que formou, a 17 de Maio, com Gantz

“Temos a oportunidade histórica, que nunca existiu desde 1948, para aplicar judiciosamente a soberania como passo diplomático na Judeia e na Samaria”, disse Netanyahu, referindo-se ao ano de criação de Israel e usando os nomes bíblicos para a Cisjordânia. “É uma grande oportunidade e não a vamos desperdiçar”, disse um dia depois de começar o julgamento em que é acusado de subornos, de fraude e de quebra de confiança

Netanyahu tem-se referido ao plano do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a paz israelo-palestiniana como sendo a base para a de facto anexação. Os palestinianos rejeitaram a proposta, anunciada em Janeiro, sob a qual a maior parte dos colonatos judaicos seriam integrados em “território israelita contíguo”. 

Os palestinianos e a maior parte dos países vêem os colonatos em terras que Israel conquistou na Guerra dos Seis Dias, em 1967, como ilegais. Mas Israel contesta-o e críticos israelitas da anexação têm expressado preocupação sobre o aumento da violência anti-israelita. 

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