Covid-19: Primeiros países europeus a desconfinar sem impacto nos contágios

República Checa, Áustria, Dinamarca e Noruega foram os primeiros países na Europa a levantar algumas medidas de restrição impostas para conter a propagação do novo coronavírus.

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Primeiros clientes regressam a um centro comercial após serem levantadas as medidas de restrição em Copenhaga, na Dinamarca RITZAU SCANPIX/Reuters

Os primeiros países na Europa a levantar restrições, em Abril, continuam a registar menos casos de infecção pelo novo coronavírus, embora todos estejam entre os que foram, desde o início, menos afectados pela pandemia de covid-19.

A República Checa, a 7 de Abril, a Áustria, uma semana depois, a Dinamarca, a 15 de Abril, e a Noruega, no dia 20 do mesmo mês, foram os primeiros na Europa a levantar algumas das limitações impostas para controlar a epidemia da covid-19, nuns casos reabrindo o pequeno comércio e as creches, noutros voltando a permitir a saída à rua e as deslocações.

Na primeira semana de Abril, quando anunciaram o início do processo de desconfinamento, estes países eram já dos menos atingidos na Europa, longe de Itália ou Espanha, os mais afectados.

Mais de um mês depois, os números da Organização Mundial de Saúde (OMS) relativos a 54 países do continente europeu colocam estes quatro países entre o 18.º e o 23.º lugares, numa lista que começa no Estado com mais casos (Federação Russa) para o que tem menos casos (Vaticano).

Nessa lista, Portugal está em 11.º lugar.

Noruega assegura que reabertura das escolas não teve impacto

A Noruega, que decretou o lockdown a 12 de Março, iniciou o desconfinamento a 20 de Abril, com a reabertura das creches e de estabelecimentos como oculistas, consultórios de dentistas e psicólogos, clínicas de fisioterapia e laboratórios, e com o levantamento da proibição de deslocações a casas de férias ou de fim-de-semana.

Seguiram-se, a 27 de Abril, a reactivação das escolas primárias e universidades, e a reabertura de cabeleireiros e clínicas de massagens e tratamentos dermatológicos.

Outras etapas sucederam-se. A mais recente, anunciada esta quarta-feira, diz respeito à reabertura das fronteiras para outros cidadãos europeus que tenham residência ou familiares no país e para trabalhadores sazonais.

“Não notámos, até agora, que a reabertura das escolas e creches tenha tido um efeito negativo na situação epidemiológica”, afirmou, na segunda-feira, um responsável do Instituto de Saúde Pública norueguês, Frode Forland, acrescentando que o mesmo é válido para a retoma de actividade de cabeleireiros e outros estabelecimentos.

“Se o alívio das medidas tivesse um efeito negativo, já o devíamos ter começado a ver, sob a forma de um aumento do número de infecções”, acrescentou.

A reabertura das escolas para as crianças mais pequenas foi contestada por muitos pais. Uma página no Facebook intitulada O meu filho não deve ser uma cobaia para a covid-19 chegou aos 27.000 membros.

As escolas básicas, para alunos a partir dos dez anos, e secundárias, reabrem esta semana.

A 7 de Abril, quando foi anunciada a primeira fase de desconfinamento, a Noruega registava, segundo números oficiais, 5863 casos e 69 mortes. A 12 de Maio, segundo números da OMS, o país tinha 8106 casos e 224 mortes.

Nos 35 dias que separam as duas datas, foram notificadas pouco mais de 2200 infecções (64 por dia em média) e 155 mortes (quatro por dia em média).

A Noruega, que não integra a União Europeia (UE), tem uma população de 5,4 milhões.

Áustria declara superada com êxito 1.ª fase do alívio de restrições

A Áustria, que foi o primeiro país da Europa a anunciar o levantamento de restrições, começou por autorizar a reabertura das pequenas lojas a partir de 14 de Abril e decretou o fim do confinamento a 1 de Maio, data a partir da qual puderam também reabrir os estabelecimentos comerciais maiores.

Os alunos começaram a regressar às escolas a 4 de Maio, em três etapas definidas por idades, começando pelos alunos do secundário ou cursos técnico-profissionais com exames finais.

Quatro semanas depois das primeiras medidas de alívio, o ministro da Saúde austríaco, Rudolf Anschober, declarou superada com êxito a primeira fase do processo de desconfinamento. “A primeira etapa foi muito bem gerida”, declarou o ministro a 5 de Maio.

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Um cabeleireiro em Viena, Áustria Lisi Niesner/REUTERS

“A situação é muito estável, tomámos as decisões certas no momento certo”, assegurou, acrescentando que o impacto da segunda fase, iniciada na véspera, será avaliado em meados de Maio: “Se lá chegarmos sem um forte aumento [de casos] e os números continuarem estáveis, então teremos dado um grande passo em frente”.

O país prepara-se para reduzir os controlos na fronteira com a Alemanha, fechada desde meados de Março, já a partir de sexta-feira, reabrindo-a totalmente a 15 de Junho, e está a negociar acordos bilaterais no mesmo sentido com os restantes países vizinhos.

A 6 de Abril, quando anunciou as primeiras medidas de alívio, a Áustria registava 12.058 casos de infecção e 204 mortes. A 12 de Maio, segundo a OMS, o país registava 15.874 casos e 620 mortes.

Entre as duas datas, foram registadas 3816 novas infecções (uma média de cerca de 100 por dia) e mais 416 mortes (11,5 por dia em média).

A Áustria tem 8,8 milhões de habitantes.

Dinamarca diz ter a pandemia controlada e afasta 2.º surto

A Dinamarca foi o primeiro país europeu a reabrir as creches e escolas pré-primárias e primárias, a 15 de Abril, a que se seguiram, a 10 de Maio, os níveis de ensino seguintes.

Cabeleireiros, estúdios de tatuagem, escolas de condução, oculistas, dentistas, psicólogos, clínicas de fisioterapia e laboratórios de investigação foram autorizados a reabrir a 19 de Abril e, a 27 de Abril, foi a vez dos tribunais e serviços públicos relacionados com o apoio às famílias e adopção.

“Conseguimos controlar o contágio de coronavírus graças a um esforço colectivo consistente”, afirmou esta quarta-feira a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, apontando “motivos fundamentados para optimismo”.

E, com uma taxa de reprodução do vírus (R) de 0,7, o director do Instituto Nacional de Saúde da Dinamarca, Kare Molbak, afasta a possibilidade de uma segunda vaga de infecções: “Se o vírus estivesse descontrolado e não fizéssemos nada, era possível uma segunda vaga, mas aprendemos muito com a doença e temos capacidade para testar e para isolar os expostos ao contágio”.

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Copenhaga, Dinamarca RITZAU SCANPIX/REUTERS

Quando anunciou o início do plano de desconfinamento, a 6 de Abril, a Dinamarca registava 4875 casos e 187 mortes, segundo números oficiais. Esta quarta-feira, passados 36 dias, o país regista 10.789 casos e 527 mortes, também segundo números oficiais.

Entre as duas datas, registaram-se 5914 novas infecções (em média 164 por dia) e 340 novas mortes (nove por dia em média).

A Dinamarca tem 5,7 milhões de habitantes.

República Checa alivia uso obrigatório de máscara

A República Checa, que a 24 de Abril se tornou o primeiro país europeu a voltar a autorizar todas as viagens ao estrangeiro, inclusivamente para férias, teve como primeira medida de alívio de restrições o levantamento da obrigatoriedade de uso de máscara para os praticantes de ciclismo, corrida ou outras actividades desportivas ao ar livre, a 7 de Abril.

Também desde o final de Abril, o país autorizou os cidadãos a voltar a sair à rua e a deslocarem-se dentro do território nacional, mantendo, no entanto, a obrigação de uso de máscara, o distanciamento social e a proibição de reuniões de mais de dez pessoas.

A partir de 25 de Maio, anunciou na segunda-feira o ministro da Saúde checo, Adam Vojtech, o uso de máscara passa a ser obrigatório apenas dentro de edifícios, transportes públicos e outros espaços fechados.

Nos espaços ao ar livre, onde desde 19 de Março era forçoso usar máscara, a protecção passa a só ter de ser usada se duas ou mais pessoas que não residam na mesma casa estiverem a uma distância entre elas inferior a dois metros.

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Um bar em Praga, na República Checa DAVID W CERNY/REUTERS

“Podemos permitir-nos isso”, disse o ministro, apontando que o número diário de novas infecções está bem abaixo das 100 há dez dias consecutivos e o de mortes abaixo das dez por dia desde 13 de Abril, com apenas três de domingo para segunda-feira.

A 6 de Abril, quando anunciou a primeira medida, a República Checa registava 4735 casos de infecção, 78 dos quais mortais. Trinta e cinco dias depois, o país registava, na segunda-feira, 8176 casos e 282 mortes.

Nesse período, os casos de infecção aumentaram em 3441 (98,3 em média por dia) e as mortes 204 (5,8 em média por dia).

A República Checa tem uma população de 10,65 milhões.

Surgido em Dezembro na China, o vírus SARS-CoV-2 infectou mais de 4,2 milhões de pessoas em 195 países e territórios e fez 290 mil mortos.

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