Autoeuropa produz viseiras para hospitais e pára mais uma semana

Trabalhadores voluntariaram-se para produzir viseiras, aproveitando as competências de impressão 3D que colocam a fábrica de Palmela no topo do grupo VW.

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Depois de ter doado material, como viseiras e fatos, aos hospitais de Santa Maria e Curry Cabral em Lisboa, quando a crise provocada pela pandemia de covid-19 ainda não tinha as proporções actuais, a fábrica da Autoeuropa, do grupo Volkswagen, em Palmela, prepara a entrega de material de protecção a outras duas unidades hospitalares.

A unidade onde trabalham quase 6000 pessoas está parada desde o dia 16, devido ao coronavírus e, segundo a comissão de trabalhadores, a suspensão vai afinal prolongar-se por mais uma semana. Em vez de regressarem ao trabalho no dia 30 de Março, os turnos só recomeçarão no dia 6 de Abril, se as condições assim o permitirem.

A Autoeuropa é uma das melhores fábricas do grupo VW em matéria de impressão 3D. Graças a essa competência, e com a laboração suspensa e a fábrica vazia, há voluntários que continuam a ir para a empresa onde têm produzido viseiras que vão ser entregues ao pessoal médico dos hospitais da região.

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Fausto Dionísio, membro da comissão de trabalhadores, diz ao PÚBLICO que alguns trabalhadores se juntaram, com o apoio da empresa, para produzirem viseiras destinadas ao Hospital de S. Bernardo, em Setúbal, e ao Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro. A primeira entrega, agendada para quarta-feira, inclui cerca de 70 equipamentos, acrescenta o mesmo representante.

“Continuaremos por aqui a produzir estes equipamentos enquanto houver material”, assegura Fausto Dionísio.

A comissão de trabalhadores informou, por seu lado, que “vê com agrado a decisão favorável da administração à proposta apresentada no dia 20 de Março, em relação à atribuição de downdays pelo período de suspensão de turnos de 29 de Março a 5 de Abril”.

O comunicado com esta informação foi divulgado nesta terça-feira. O PÚBLICO contactou a administração, que confirmou a paragem até 5 de Abril, ficando o regresso ao trabalho dependente da evolução da situação nacional.

O mecanismo de downdays é a ferramenta interna desta empresa, criada em 2003, para gerir tempos de paragem. Cada downday é descontado de um 15.º mês, com 22 dias de salário. Dessa forma, ninguém é prejudicado na sua remuneração base normal. No fim do ano, fazem-se as contas. Descontam-se os downdays e, se sobrar, paga-se o resto a cada funcionário.

No fim-de-semana soube-se que 0 Governo alemão pediu a fabricantes de automóveis que se concentrem na produção de equipamentos médicos, como máscaras ou ventiladores, para o combate à pandemia da covid-19.

Segundo a Bloomberg, este pedido às grandes empresas do sector faz parte de um esforço maior do executivo alemão para mobilizar os recursos de engenharia e produção do país e ultrapassar os estrangulamentos no fabrico de equipamento médico, decisivo para lutar contra a pandemia.

A iniciativa portuguesa não está relacionada com esse pedido de Berlim.