Continental vai fechar fábrica em Palmela e despede 370 trabalhadores

Unidade com 25 anos vai encerrar até ao final de 2021. Grupo alemão alega condições de mercado

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Unidade em Palmela produz há 25 anos componentes para sistemas de travagem automóveis Paulo Pimenta

O grupo alemão Continental vai fechar uma das fábricas que tem em Portugal. Trata-se de uma unidade situada no concelho de Palmela. O encerramento vai ocorrer “até ao final de 2021” e afecta 370 trabalhadores. O anúncio foi feito esta terça-feira, em comunicado. A unidade em causa produz há 25 anos maxilas para travões dianteiros. 

O grupo já tinha revisto em baixa as projecções para 2020 depois de resultados de 2019 que desapontaram accionistas. Ainda assim, continuava a ter lucro, embora anunciasse uma grande reestruturação global para lidar com desafios como a mudança de preferência de consumidores na indústria automóvel, que é um dos principais clientes. 

Agora, sabe-se que essa reestruturação vai chegar a Portugal, país onde o grupo até tem novos investimentos em curso, numa vertente mais tecnológica, designadamente no Porto, onde ficará o novo centro de engenharia. 

Sobre o fecho em Palmela, “a razão é a queda do mercado global de automóveis de passageiros”. 

“As estimativas actuais são significativamente mais baixas em comparação com as previsões de há um ano e meio e mostram que os volumes da produção automóvel continuam a cair. Esta situação resulta igualmente na redução do mercado de maxilas de travão e, por consequência, na redução dos volumes de produção de Palmela”, lê-se num comunicado do grupo. 

“A redução dos volumes cria uma capacidade excedentária e leva a uma crescente pressão num mercado cada vez mais focado na redução de custos. Estes efeitos exigem que agrupemos volumes e que usemos efeitos de escala para assegurar a nossa competitividade e para consolidar as nossas fábricas de maxilas de travão na Europa”, afirma Bernhard Klumpp, o director-geral da unidade de negócios Sistemas Hidráulicos de Travagem da Continental.

Ao todo, o grupo sediado em Hanôver emprega 3700 pessoas em Portugal. O que significa que este encerramento afecta 10% da força laboral em solo nacional. 

“Estamos conscientes do impacto que esta decisão tem nos nossos colaboradores”, afirma Pedro Gaiveo, director-geral da fábrica em Palmela.

“Vamos colaborar estreitamente com a comissão de trabalhadores para desenvolver um pacote abrangente de compensação. Este pacote vai incluir indemnização e apoio na procura de um novo emprego dentro ou fora da Continental.”

Em Junho de 2019, a Continental anunciou um investimento de 100 milhões na fábrica de Famalicão, onde pneus e que gera 65% das receitas do grupo em Portugal. O objectivo era o de ampliar instalações, a capacidade de produção em Lousado e acrescentar 100 postos de trabalho.

Na recta final de Novembro, anunciou novo investimento, desta vez no Porto, para abrir uma filial da Continental Engineering Services. O valor de investimento não foi revelado. Esta empresa de serviços de engenharia terá até 300 engenheiros, segundo foi anunciado.

No início de Março, quando apresentou resultados consolidados, a administração do grupo revelou prejuízos de 1200 milhões de euros. Porém, o resultado líquido negativo ficou a dever-se a efeitos contabilísticos, com imparidades sobre goodwill que obrigaram a corrigir 2500 milhões no exercício.

Ainda que enfrente uma quebra no sector automóvel de 2% a 5% no mundo, o grupo teve 1300 milhões de free cash flow, sinal de que continua a ser capaz de gerar dinheiro.

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