Opinião

Coronavírus: seguras e tranquilas são as crianças informadas

Se a informação que a criança possui for exagerada ou distorcida, corrija e reforce que deve confiar nos seus adultos de referência para tirar dúvidas.

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@petercalheiros

coronavírus abre telejornais e encerra universidades e escolas em todo o país. Embora já se conheça mais sobre o vírus, neste momento, há ainda muitas perguntas sem resposta e as crianças estão naturalmente curiosas sobre o que é o vírus e o que este pode fazer à nossa saúde. Os adultos devem manter-se informados, de modo a estarem preparados para responderem de forma construtiva às perguntas e receios das crianças. O alarmismo e a desinformação causam insegurança.

O medo tem o poder de prejudicar o discernimento das pessoas, e, neste sentido, a tranquilidade dos pais será a chave para a segurança da criança. Deve haver equilíbrio na informação transmitida e na forma tal é feito, porque as crianças são esponjas das nossas emoções e percebem-se que os pais estão ansiosos, reagindo de forma semelhante.

As crianças ouvem as notícias (mesmo que os pais acreditem que estão distraídas), ouvem os pais a conversarem entre si e com os outros e frequentam infantários ou escolas onde a covid-19 tem sido tema de conversa. Em casa, o novo coronavírus não deve ser tema tabu ou de alarme, mas, sim, tópico de conversa, no sentido da prevenção e da informação, sem que seja o único tema. Uma criança informada protege-se melhor e ajuda a prevenir.

A mensagem deve ser adequada à idade, sendo que a informação transmitida a uma criança entre os 5 e os 10 anos não deverá ser a mesma que a um adolescente. A informação deve ser o mais simples possível e sem recomendações em excesso, de modo a não causar insegurança. 

A forma como a informação é transmitida e percebida pela criança é muito importante na gestão dos receios. É fundamental transmitir uma mensagem tranquilizadora, com base em factos, filtrando a informação dispensável, mas sem mentiras. As crianças podem saber que este vírus é mais contagioso do que o da gripe “normal” (daí a necessidade de lavar bem as mãos e de não beber da garrafa do amigo), mas não precisam de saber o número de mortos ou se a vizinha está internada em estado crítico. É importante explicar que existem normas de prevenção que devem ser seguidas e que as medidas que estão a ser tomadas, como o encerramento das escolas, ocorrem no sentido de controlar o contágio.

Aborde a situação e deixe a criança fazer perguntas, tentando perceber o que ela sabe sobre o tema e se as suas fontes de informação são fidedignas. Se a informação que a criança possui for exagerada ou distorcida, corrija e reforce que deve confiar nos seus adultos de referência para tirar dúvidas.

O que fazer para ajudar a criança a compreender e a saber lidar com o novo coronavírus:

  • Deve ser explicado que todos temos uma responsabilidade social a cumprir e evitar passar doenças às outras pessoas faz parte dessa responsabilidade, seja perante o coronavírus ou outro vírus qualquer. Assim, mostre-se responsável perante o seu filho e assuma uma postura de civismo no combate à propagação do vírus;
  • Informe-se com fontes fidedignas de informação de modo a estar tranquilo e não passar receios infundados à criança;
  • Explique o que é o coronavírus (de forma adequada à idade da criança) e como deve agir para prevenir-se. Utilize imagens com os mais novos;
  • Refira que o vírus deixa as pessoas doentes e, por isso, são precisos alguns cuidados acrescidos de higiene (deve evitar beijos e abraços, não pôr as mãos na boca ou no nariz, e deve lavar as mãos várias vezes ao dia);
  • Informe-se sobre as normas de higiene e prevenção aconselhadas pela Direcção-Geral de Saúde e ensine-as ao seu filho. As práticas preventivas fornecem à criança um sentimento de controlo;
  • Se a criança demonstrar medo, não desvalorize e aceite as suas emoções, normalizando. Assegure que os pais estão atentos e farão o que for preciso em caso de necessidade;
  • Mostre-se disponível para ouvir e responder às suas dúvidas. É normal que perante as notícias de doentes e mortos, as crianças fiquem mais preocupadas;
  • Não minta, mas filtre a informação desnecessária;
  • Não deixe a criança ver os noticiários sozinha;
  • Não prometa o que não poderá cumprir (por exemplo, que ninguém da família será infectado);
  • Não utilize o vírus para manipular a criança e criar medo porque, por exemplo, não lhe convém que ela vá a algum lugar, esteja com alguém ou faça alguma coisa;
  • Utilize as palavras correctas, como ‘contágio’ ou ‘vírus’. Ao inventar termos infantilizados, os pais correm o risco de passar uma mensagem pouco realista e deixar a criança confusa;
  • Explique por que as rotinas, os cumprimentos e os compromissos sociais estão a ser alterados, mas que tudo voltará ao normal;
  • Explique por que a escola foi fechada e que isso não significa que estão todos doentes, mas que é uma medida de prevenção para evitar que mais pessoas fiquem doentes.
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