Braga quer descentralizar e internacionalizar tecido cultural até 2030

Relacionada com a candidatura a Capital Europeia da Cultura, em 2027, a estratégia municipal para a próxima década prevê a descentralização da actividade cultural a todo o concelho e também a internacionalização do trabalho desenvolvido. O documento afirma que as artes multimédia são uma oportunidade para a cidade.

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Andre Rodrigues

Quando a terceira década do século XXI chegar ao fim, Braga espera ser um concelho com uma dinâmica cultural que extravasa os equipamentos e os espaços públicos da cidade, sentindo-se um pouco por todo o concelho, mas também na relação com agentes culturais internacionais e no fortalecimento do tecido económico ligado aos sectores criativos. Esse é pelo menos o manifesto vertido na estratégia da Câmara Municipal de Braga para a cultura no período entre 2020 e 2030.

Presente esta segunda-feira na apresentação pública dessa estratégia, o presidente da Câmara, Ricardo Rio, lembrou que, no futuro próximo, está previsto um investimento de 15 milhões de euros na valorização cultural e patrimonial da cidade, com a transformação da antiga escola Francisco Sanches num espaço para associações que trabalham diferentes expressões artísticas, do cineteatro São Geraldo num equipamento para as artes multimédia e das Sete Fontes num parque urbano. O autarca frisou ainda que a estratégia ultrapassa o propósito de Braga ser Capital Europeia da Cultura, em 2027. “A área cultural é motor de muitas dinâmicas económicas”, realçou. “Mais do que atingirmos esse desiderato, este é um documento norteador que fazia falta aos agentes culturais de Braga. Que sirva de bússola para o futuro”, realçou.

Além de incentivar o fortalecimento da relação entre os criadores, as associações e os equipamentos da cidade, através de programas de formação e de residências artísticas, o documento estratégico, consultado pelo PÚBLICO, defende uma maior presença cultural fora da cidade, com mais programação e também criação, em particular no teatro. Está ainda previsto o aparecimento de uma rede equipamentos culturais nas zonas periféricas do concelho – o primeiro vai ser antiga escola básica de São Pedro de Oliveira, onde decorreu a apresentação.

A internacionalização é outro dos eixos incluídos na estratégia, com a Câmara Municipal a desejar também iniciar um programa de mobilidade artística que leve artistas bracarenses ao estrangeiro (denominado Circula) e um outro que atraia criadores internacionais à cidade minhota (Open.door).

A inclusão é outro dos fenómenos abrangidos pela estratégia cultural de Braga até 2030: o documento preconiza a criação de projectos artísticos para pessoas com necessidades a nível de saúde mental ou com limitações físicas ou em risco de exclusão social por outros motivos e uma maior acessibilidade de tais grupos a espectáculos.

Outra das apostas para a década é a criação de negócios com potencial de internacionalização no sector criativo. Este sector inclui campos como a música, as artes performativas e arquitectura, mas também jornais, design e videojogos, perfazendo já 6% da economia municipal, segundo o documento. A criação de um observatório para estudar as dinâmicas culturais de Braga e de um repositório público de memória audiovisual sobre a cidade são outras das medidas incluídas na estratégia.

Após dois anos de auscultação a várias entidades da cidade e também a alguns cidadãos, o documento realça que a música é a “disciplina artística” com mais expressão num concelho e que as artes multimédia são uma oportunidade estratégica para o território, até “pelo potencial agregador das restantes disciplinas artísticas” – Braga, recorde-se, foi eleita Cidade Criativa da UNESCO para as artes multimédia em 31 de Outubro de 2017.

Associar o património à inovação

Além das novidades inscritas na estratégia cultural, Braga quer continuar a promover o seu património natural, construído e imaterial, algo que foi destacado pela vereadora municipal para a cultura. “Podemos valorizar a nossa cultura ancestral, o nosso património material e imaterial e associá-lo à inovação tecnológica e social”, realçou Lídia Dias, durante a apresentação.

A responsável salientou que a autarquia, desde 2013, ano em que a maioria PSD/CDS-PP liderada por Rio assumiu o poder, o número de associações culturais duplicou de 20 para 40 até hoje.

A opção pela freguesia rural de São Pedro de Oliveira para a apresentação da estratégia, disse ainda a vereadora, foi um manifesto de que, apesar da “geografia muito desigual em termos de distâncias e de equipamentos culturais”, a paisagem cultural de Braga pode ir além do “centro histórico”. “Não nos queremos fechar no espaço público e nos espaços culturais do centro da cidade. Braga pode continuar na senda do conhecimento e da ciência, mas que também valorize as humanidades, para ser uma cidade mais solidária e plural”, realçou.

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