Gnration: cinco anos a abrir caminhos na música e nas artes multimédia

Um programa de 16 horas com concertos e instalações multimédia celebra, das 10h deste sábado às 4h de domingo, o quinto aniversário do centro de criação musical de Braga.

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Kelly Lee Owens dr

Criado no âmbito da Braga 2012: Capital Europeia da Juventude, o centro criativo tem ocupado um lugar que não existia na cidade, graças ao fomento de novas manifestações artísticas e ao apoio à criação local. O quinto aniversário celebra-se neste sábado, com Kelly Lee Owens, nome emergente da música electrónica, a sobressair num programa de 16 horas com concertos e instalações multimédia.

Ponto de confluência de muitas das vias traçadas há séculos atrás, durante o Império Romano, no noroeste da Península Ibérica, Braga apoia-se no Gnration, de há cinco anos para cá, para ser referência na “divulgação de novas formas artísticas”, considera o director de programação, Luís Fernandes. “Para quem é consumidor de cultura e está atento ao que se passa no domínio da arte e da cultura, há um pré e um pós-Gnration em Braga”, reitera.

Para o programador, o Gnration tem ocupado um lugar que não existia na cidade quer pela “programação moderna e arrojada”, quer pelo “apoio à criação” tanto nas artes multimédia, área que valeu a Braga o estatuto de Cidade Criativa da UNESCO, confirmado a 31 de Outubro de 2016, como na “música não erudita”, com programas de apoio que já serviram cerca de 20 bandas.

“Provavelmente, se não fôssemos nós, teriam pouca oportunidade de gravar um disco ou de se apresentar em palco de uma forma digna. Este trabalho temo-lo feito constantemente, com particular ênfase nos últimos três anos” , realçou Luís Fernandes. Esse elenco inclui os Ermo, duo que lançou em 2017 o álbum Lo-fi Moda com texturas electrónicas, e os Osso, projecto de hip hop formado em 2017 a convite do Gnration, que acabou depois por criar um álbum.

Estes dois nomes incluem a programação do quinto aniversário, que se estende das 10h de sábado às 4h de domingo, em que se destaca Kelly Lee Owens. A artista galesa, radicada em Manchester, vai actuar pela primeira vez em Portugal, depois de, no ano passado, ter lançado o seu álbum de estreia, uma mistura de electrónica e dream pop aclamada pela crítica.

A escolha de Kelly Lee Owens é, para Luís Fernandes, “um exemplo paradigmático da filosofia de programação” do Gnration, orientada para promover a criação local, mas também “dar a conhecer aquilo que de melhor se faz a nível internacional”. “É um disco acessível, dançável, muito divertido e prazeroso de ouvir. É uma artista que, daqui a um ano ou dois, será totalmente inatingível para uma instituição como o GNRation”, disse.

A comemoração do quinto aniversário também se faz de instalações multimédia, quatro ao todo. Entre elas, encontra-se Language Hack, criada pela alemã AGF, ao abrigo do Scale Travels, programa criado em 2016 pelo Gnration e pelo Laboratório Ibérico de Nanotecnologia, sediado em Braga. Para Luís Fernandes, este projecto, com duração garantida, pelo menos, até 2020, explora a ligação entre nanotecnologia e arte e garante a presença de artistas digitais reconhecidos na cidade, como o japonês Ryoichi Kurokawa, em 2017.

O Gnration está, por isso, a gerir o processo relacionado com a Cidade Criativa da UNESCO, a par do Theatro Circo, e integra já algumas redes internacionais do sector, em conjunto com instituições como a Transmediale, de Berlim, e a Fundação Onassis, de Atenas. “É um trabalho que escapa ao grande público, mas essa afirmação internacional já está a acontecer aos poucos”, sublinha Luís Fernandes.

Serviço educativo para formar públicos

Além do crescimento sentido ano após ano no número de eventos e de espectadores — no ano passado, acolheu 44.374 pessoas em 150 eventos —, o Gnration tem chegado a cada vez mais gente com o seu serviço educativo. Estabelecido há três anos, o serviço, diz Luís Fernandes, inclui concertos para bebés, masterclasses com artistas e trabalho com idosos, tendo, no ano passado, registado mais de 1.500 participantes — em 2015, ficara abaixo dos 1.000. “Estamos a contribuir para um público mais capaz, mais exigente e preparado para uma cidade que quer ser melhor culturalmente”, realçou.

A formação de públicos e a educação para as novas manifestações culturais deve, na perspectiva do programador, ser o foco do Gnration para os anos vindouros, com a candidatura a Capital Europeia da Cultura 2027 no horizonte. “Espero que, daqui a cinco anos, o GNRation esteja ainda mais enraizado nos hábitos culturais bracarenses”, diz.

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