O futuro das Sete Fontes é uma mistura de parque verde, floresta e urbanização

O plano de urbanização daquela zona conhecida pelo sistema de abastecimento de água que remonta ao século XVIII, contempla uma área de 92 hectares no nordeste da cidade de Braga, sendo apresentado neste sábado.

Imagem de como ficará o parque
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ADRIANO MIRANDA / PUBLICO

Um parque de usufruto público onde sobressaem as condutas de água do século XVIII, uma floresta na posse de privados, com quintas, percursos pedestres e miradouros e urbanizações com edifícios de dois ou três pisos em redor do parque da floresta: essa é a tríade que constitui o futuro das Sete Fontes, espelhada no plano de urbanização para aqueles 92 hectares, que vai ser apresentado na manhã deste sábado, no Museu D. Diogo de Sousa.

Depois de um processo que teve protestos contra o volume de construções que iria cobrir toda a zona à excepção dos 16 hectares ocupados pelas ancestrais condutas de água, posteriormente anulado por alteração do PDM, a classificação das Sete Fontes como Monumento Nacional, concluída em 2011, e a reabilitação das condutas, em 2014, o plano de urbanização é uma “solução adequada e concretizável” para o local, afirmou ao PÚBLICO Jorge Carvalho, urbanista coordenador da equipa que elaborou o projecto.

Ao contrário de outros parques urbanos, o das Sete Fontes não vai exigir muita área verde construída de raiz, porque aquela zona em que “a floresta entra na cidade”, frisou o professor e investigador da Universidade de Aveiro. “É uma zona extraordinária, imensamente valiosa a nível patrimonial e ambiental. Temos de criar condições para o seu usufruto, com percursos, iluminação pública e reforço da floresta já existente”, explicou.

Esse parque corresponde, segundo o mapa a que o PÚBLICO acedeu, a um terço das Sete Fontes, com a floresta a ocupar outro terço daquela zona a nordeste da cidade, que ocupa as freguesias de São Vítor e Gualtar. Essa área manter-se-á privada, com quintas, à excepção dos miradouros e dos acessos, que serão públicos. Em redor do parque e da floresta, os novos edifícios para ali destinados vão ser “as portas do parque”, salientou Jorge Carvalho, depurando as fronteiras da zona e tornando-a mais segura. Construídos de frente para o parque, os edifícios vão ter, no máximo, dois ou três pisos, acrescentou o urbanista. Há, porém, uma excepção: o muro que separa as traseiras de um centro de venda a retalho e as Sete Fontes vai ser tapado com um edifício mais alto, que vai também fazer uma ligação pedonal ao Bairro da Alegria e aproximar a Universidade do Minho das Sete Fontes. “A universidade vai assim aproximar-se do parque. O edifício terá um elevador incorporado e ligar-se-á directamente ao outro bairro”, explicou.

O plano, disse ainda Jorge Carvalho, contempla ainda o prolongamento até Gualtar da via de acesso às urgências ao hospital, que “espatifou paisagisticamente aquela zona” e constitui um “beco sem saída”. “Isto também tem vantagens para o serviço de urgência, porque passa a ser possível lá chegar por dois lados”, observou.

Consciente de que a implementação do plano vai ser demorada, o urbanista realçou que a sua conclusão em 10 anos seria um “êxito enorme”.

Negociações com proprietários “em bom andamento”

Convicto de que o complexo das Sete Fontes é uma “riqueza” à espera de ser usufruída, por constituir um prolongamento da “paisagem do Gerês” até Braga e dispor de 13 mananciais de água que ainda alimentam alguns dos fontanários da cidade, o vereador municipal, Miguel Bandeira, reconheceu que a implementação do plano exige a aquisição de algumas parcelas de terreno e negociações com os proprietários.

Envolvido no processo desde 1995, quando pediu a classificação do local ao então IPPAR como dirigente da ASPA, associação local de defesa do património, o responsável pelo pelouro do património esclareceu que as negociações com cada um dos proprietários a quem a Câmara quer adquirir terreno estão em “bom andamento”, apesar de ter reconhecido que há “proprietários mais renitentes” nas negociações, Miguel Bandeira mostrou-se confiante que a autarquia vai poder anunciar a conclusão dos “primeiros acordos de compra nos próximos dias”.

Em Fevereiro de 2019, o presidente da Câmara, Ricardo Rio, anunciou a vontade de integrar 8,9 hectares de terreno pertencente ao Hospital de Braga no parque das Sete Fontes, tendo proposto um acordo por permuta de terrenos. O objectivo dessa assimilação de terreno, explicou Miguel Bandeira, é a “qualificação do próprio ambiente do hospital”, aproximando-o de um espaço que pode ser “usufruído pelos seus utentes”. O vereador reconheceu, porém, que as negociações entre Câmara e Ministério da Saúde estão ainda em curso.

Apesar de concluído do ponto de vista técnico, a implementação do plano de urbanização vai ter ainda de esperar pela discussão pública do processo e também pelas entidades do Estado obrigadas a emitir parecer – a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, a Direcção Regional de Cultura do Norte e o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas.