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Luca fotografou a catarse e o “vale tudo” do Carnaval de São Paulo

©Luca Meola
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No Brasil, longe do famoso sambódromo do Rio de Janeiro, também há Carnaval. E também é de arromba. "Em São Paulo, vale tudo", disse ao P3 o fotógrafo Luca Meola, que documentou, durante cinco dias, os excessos vividos nas ruas da megalópole. "São cinco dias de cortejo, de baile, de consumo de álcool e de drogas, de encontros ocasionais quase orgiásticos."

Entre as últimas horas de sexta-feira, dia 21 de Fevereiro, e o final da terça-feira de Entrudo, Luca vagueou pelas ruas em busca dos excessos praticados pelos foliões. E deparou-se com episódios de violência, de emergência médica e policial e cenas de elevada carga sexual. "Não vi pessoas a fazer sexo na rua, mas acho que facilmente poderia ocorrer", explica, via WhatsApp, ao P3. "Vi beijos na boca entre três pessoas ao mesmo tempo, é algo normal neste contexto", explica. Daí ter chamado a esta série Carne-val. "Porque a carne, o corpo, tem uma dimensão muito importante no Carnaval. Os corpos estão em exibição, há muita interacção entre eles. As pessoas, por vezes, nem se falam antes de se beijarem."

Uma das situações mais "bonitas" que o italiano viveu nesses dias em São Paulo "foi quando começou a chover torrencialmente e mesmo assim as pessoas continuaram a dançar e a beijar-se". O Carnaval tem duas faces: uma boa e outra má. "Por serem cinco dias de catarse, existe tendência para o exagero. Há muitos episódios de assédio sexual. Ha garotos muito bêbedos que tentam beijar qualquer menina que passe na sua frente." A campanha Não É Não, que alerta para a importância do consentimento, distribuiu, por vários pontos do país, cerca de 200 mil tatuagens com a mensagem, refere Luca.

Um dos piores episódios a que assistiu foi a um espancamento. "Um grupo de homens começou a bater num indivíduo. Ele caiu no chão e o grupo continuou a espancá-lo." A presença da polícia é escassa, diz. "E as poucas vezes em que está presente age de forma muito violenta. Mas isso não é só no Carnaval." Luca viu muitas ambulâncias, muitas pessoas inanimadas ou em dificuldades. Foram, nesta edição, cerca de 15 milhões os foliões que encheram as ruas da cidade, "sobretudo na zona central". O Carnaval de São Paulo foi, em 2020, o maior do país. Os números não deixam mentir: 644 carros alegóricos seguidos de milhares de pessoas que bailaram ao som do samba, mas também do punk, do funk, rock, música sertaneja e techno. "Foi uma grande, enorme, festa de rua", diz. "Eu diverti-me muito."

O trabalho do fotógrafo italiano radicado em São Paulo, que é representado pela Luz Photo Agency, pode ser acompanhado através da sua conta de Instagram. Um retrato mais amplo da cidade onde vive, que adjectiva de "desumana" e "desigual", pode ser relembrado aqui.

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