Chefia do Urbanismo de Lisboa muda ao fim de 13 anos

Jorge Catarino Tavares pediu a demissão e será substituído por Rosália Russo.

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rui Gaudencio

A Câmara de Lisboa vai ter uma nova directora municipal do Urbanismo. Ao fim de 13 anos, Jorge Catarino Tavares deixa o cargo esta semana e dá lugar a Rosália Russo, advogada que assessorou o ex-vereador Manuel Salgado durante grande parte do mandato.

De acordo com a proposta assinada por Fernando Medina que vai a votos na reunião de câmara na quinta-feira, foi Catarino Tavares que “solicitou a cessação do exercício de funções”. O arquitecto era director municipal desde 2007, pouco depois de António Costa e Manuel Salgado terem chegado à autarquia. O seu cargo foi tendo diferentes designações ao longo do tempo. A nomeação mais recente deu-se em Julho de 2018.

Embora tenha permanecido quase sempre longe dos holofotes, Catarino Tavares foi determinante nas mudanças verificadas na cidade durante a última década, ao dar corpo à visão de Urbanismo preconizada por Manuel Salgado. Os seus pareceres permitiram a reabilitação de milhares de edifícios por toda a Lisboa, mas alguns foram polémicos e acabaram em tribunal: foi o caso do projecto contemporâneo de Souto de Moura aprovado para a Praça das Flores, do Museu Judaico, em Alfama, ou, mais recentemente, do antigo Hospital da Marinha, no Campo de Santa Clara.

Com a saída de Catarino Tavares verifica-se a primeira mudança de chefias desde que Ricardo Veludo tomou posse como vereador do Urbanismo, no Verão passado. Rosália Russo, que assume a pasta daqui em diante, é advogada. Na câmara foi directora do Departamento de Projectos Estratégicos (Urbanismo) durante os mandatos de Santana Lopes e Carmona Rodrigues (2002 a 2005) e assessora de Manuel Salgado por duas vezes, entre 2010 e 2014 e 2015 e 2018. Também foi directora de empreendimentos na extinta EPUL e, no último ano, trabalhou na sociedade de advogados Sofia Galvão e Associados.

Como todos os outros directores municipais de Lisboa, Rosália Russo toma posse em regime de substituição. A câmara não abre concursos para cargos dirigentes há pelo menos cinco anos.