Isabel II apoia Harry e Meghan, mas deixa decisões para os próximos dias

Depois de um primeiro encontro em família, tudo permanece em aberto sobre os moldes como a transição será feita.

,Palácio de Buckingham
Fotogaleria
Isabel II não foi consultada pelo neto Eddie Mulholland/Reuters
,Família real britânica
Fotogaleria
Os príncipes Carlos (à esquerda) e os filhos William e Harry (à direita) reuniram com a rainha LUSA/STR
,Família real britânica
Fotogaleria
Esta segunda-feira, os irmãos William e Harry fizeram um comunicado conjunto a negar uma notícia LUSA/STR
,Casamento do príncipe Harry e Meghan Markle
Fotogaleria
Meghan e Harry no dia em que foi conhecida a sua decisão de se afastarem dos seus serviços reais Toby Melville/Reuters
Fotogaleria
A rainha Isabel II neste domingo, na ida para a missa, em Sandringham NEIL HALL/LUSA
,Banco de imagens
Fotogaleria
Sandringham é a propriedade em Norfolk onde a rainha passa as festas de Natal e Ano Novo NEIL HALL/LUSA
,Família real britânica
Fotogaleria
Desde manhã cedo que a imprensa se concentrou em Norfolk NEIL HALL/LUSA
,Família real britânica
Fotogaleria
A reunião com o filho e os netos decorreu na casa de Sandringham e não em Buckingham NEIL HALL/LUSA

A rainha Isabel II declarou que toda a família “apoia totalmente o desejo de Harry e Meghan de criarem uma nova vida como um jovem casal”, lê-se num primeiro comunicado, emitido ao fim da tarde pelo Palácio de Buckingham.

A declaração sai do encontro que teve como objectivo conter os danos após o anúncio dos duques de Sussex que, à margem da família e sem darem qualquer conhecimento à rainha, fizeram saber através das redes sociais e através de um site próprio (criado também à revelia da monarca) a sua intenção de deixarem de ser “altos membros da família real e trabalhar” para se tornarem “financeiramente independentes”.

A reunião, que levou à casa de campo de Sandringham, em Norfolk, a rainha, o príncipe Carlos e os filhos deste, William e Harry, assim como os respectivos secretários, tinha por objectivo debater a decisão de Harry, sexto na linha de sucessão ao trono, e criar soluções para as várias questões que aquela colocava, nomeadamente a forma como o duque pretende ser financeiramente independente ou como será mantida a segurança com ele e a sua família a viverem fora do Reino Unido. Mas, acima de tudo, este encontro foi combinado para conter a imprensa que, desde a última quarta-feira, tem explorado a questão de todas as formas possíveis, criando um burburinho tão desestabilizador quanto a notícia em si.

No comunicado, entretanto assinado pela rainha Isabel II, a família diz: “Embora tivéssemos preferido que continuassem a trabalhar como membros da família real a tempo inteiro, respeitamos e entendemos o desejo de [ambos de] terem uma vida mais independente.”

A monarca sublinha ainda o facto de Harry e Meghan (que participou no encontro por videoconferência, por ter viajado para o Canadá na passada sexta-feira) terem deixado claro que “não querem depender de fundos públicos”. No entanto, o texto não refere de que forma isso acontecerá, remetendo “as decisões finais” para “os próximos dias”. Ainda assim, confirma que foi “acordado que haverá um período de transição em que os Sussexes passarão algum tempo no Canadá e no Reino Unido”.

Independentes, mas para já não muito

Os duques de Sussex anunciaram a decisão de se “afastarem da posição de altos membros da família real e trabalhar” para se tornarem “financeiramente independentes”, adiantando a vontade de dividirem o seu “tempo entre o Reino Unido e a América do Norte”. Porém, o anúncio, que apanhou toda a gente desprevenida, levantou várias questões que não saem com resposta do encontro desta segunda-feira.

Ou seja, ao deixarem de ser altos membros da família real deixam de receber o valor que lhes é atribuído do Fundo Soberano, libertando-os assim para assumirem outros trabalhos remunerados. Porém, abdicando deste, o casal fica longe de ser financeiramente independente. É que o Fundo Soberano corresponde a apenas 5% dos seus rendimentos; o remanescente é-lhes entregue pelo príncipe Carlos, sendo proveniente dos cofres do ducado da Cornualha — uma espécie de mesada que vem desde o tempo em que Harry começou a trabalhar para Isabel II.

Ainda no aspecto económico, os duques fizeram referência à sua vontade de manter a sua residência em Frogmore Cottage, um edifício mantido com dinheiros públicos; assim como a segurança à qual têm direito enquanto “pessoas protegidas internacionalmente”, que também sai dos bolsos dos contribuintes.

No entanto, mesmo que o casal se veja obrigado a abdicar dos títulos (o que não fez) e de todas as benesses monárquicas, perdendo inclusive a mesada de Carlos, não é expectável que sofra quaisquer contrariedades. Harry é rico há algum tempo, sobretudo depois de ter recebido a herança da mãe no valor de dez milhões de libras (11,75 milhões de euros), além de ter sido beneficiário do testamento da rainha-mãe. Já Meghan, que fez carreira em Hollywood e sucesso na série Defesa à Medida (transmitida em Portugal pela TVSéries), tem uma fortuna calculada em cinco milhões de dólares (4,5 milhões de euros).

Paralelamente, os duques registaram as palavras “Sussex Royal” e “Sussex”, o que lhes abre as portas a receberem os dividendos do seu uso em publicações ou artigos de merchandising. Além disso, qualquer um deles poderá entrar no ramo dos oradores que dão palestras, o que não seria inédito, e, de acordo com uma agência de talentos norte-americana, citada pela Bloomberg, auferir pelo menos cem mil dólares (90 mil euros) por cada presença.

Sugerir correcção