Scorsese recebe presentes de Natal embrulhados com os heróis da Marvel

Filha do realizador aproveitou a quadra para pregar uma partida ao pai.

Martin Scorsese, com a mulher Helen (à esquerda) e a filha Francesca (à direita)
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Martin Scorsese, com a mulher Helen (à esquerda) e a filha Francesca (à direita) Robert Pratta/Reuters

No Natal, trocam-se presentes. Mas nada diz que, durante o processo, não se possa usar de um pouco de humor. Foi o que pensou a filha do cineasta Martin Scorsese, Francesca, na altura de escolher o papel de embrulho. “Vejam com o que estou a embrulhar as prendas de Natal para o meu pai”, escreveu numa história do Instagram, revelando rolos de papel cheiinhos de heróis da Marvel: Hulk, Thor, Capitão America…

A intenção foi provocar o pai que, este ano, se insurgiu contra os filmes inspirados nas tiras de BD com o selo da Marvel. “Aquilo não é cinema”, afirmou Scorsese à revista Empire, em Outubro deste ano, numa entrevista sobre o seu filme O Irlandês (que não chegou a estrear nas salas nacionais), acrescentando que aqueles filmes são como “parques temáticos”. Uma opinião corroborada pelo seu contemporâneo Francis Ford Coppola, que conseguiu ser mais acutilante: “Martin foi bondoso ao dizer que [os filmes da Marvel] não são cinema. Ele não disse que são desprezíveis, coisa que eu digo.”

Algum tempo depois, Martin Scorsese voltou ao assunto num artigo no New York Times, intitulado “Deixem-me explicar”. Neste, o realizador admite que muitos dos elementos que definem o cinema tal como o conhece estão nos filmes Marvel, mas critica o facto de os mesmos não terem “revelação, mistério ou perigo emocional genuíno”, concluindo que sente uma “terrível tristeza” ao constatar o cenário com que se deparam os jovens realizadores de hoje: “Brutal e inóspito para a arte.”