Paulo Pimenta
Entrevista

Eugène Green: “A palavra, hoje, já não tem um corpo e uma alma”

O realizador de A Religiosa Portuguesa está de regresso a Portugal. Desta vez, não ainda para rodar um novo filme, mas para mostrar o seu documentário mais recente, Lisboa Revisitada, neste tempo de turismo em massa, e para acompanhar a exposição que lhe é dedicada pela Casa do Cinema Manoel de Oliveira, no Porto.

Nasceu em Nova Iorque em 1947, mas, ainda jovem, escolheu vir viver para a Europa, para fugir à “barbárie”. Radicou-se em França, e já filmou em Portugal A Religiosa Portuguesa, Como Fernando Pessoa Ajudou a Salvar Portugal e, como título mais recente, Lisboa Revisitada. O novo documentário foi estreado esta semana no Porto, no âmbito da exposição e retrospectiva A Imagem da Palavra, com que a Casa do Cinema Manoel de Oliveira, em Serralves, dá a conhecer a sua obra e as suas afinidades cinéfilas electivas. É a primeira vez que Eugène tem uma exposição dedicada à encenação e à leitura da matéria dos seus filmes. Que isso aconteça na casa com o nome do realizador de Vale Abraão não lhe é diferente. Além de ser também um cineasta do teatro e da palavra, “Oliveira tem um modo muito particular de transformar a teatralidade em linguagem cinematográfica”, diz.