PCP acusa Iniciativa Liberal e Chega de serem “sucedâneos mais reaccionários do que CDS”

Debate aceso em torno da condenação dos crimes praticados pelos regimes nazi e comunista.

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João Oliveira defendeu que há uma operação de branqueamento do nazismo e fascismo Nuno Ferreira Santos

No debate parlamentar em torno da aprovação de uma resolução pelo Parlamento Europeu, em Outubro passado, de condenação dos crimes praticados pelos regimes nazi e comunista, o PCP assumiu uma posição dura contra dois novos partidos que estão no seu lado oposto do espectro político. “Vai ficando claro que a Iniciativa Liberal (IL) e o Chega sendo sucedâneos do CDS são mais reaccionários com concepções mais antidemocráticas”.

João Oliveira, que ouviu protestos no hemiciclo a propósito da sua intervenção, acrescentou que “PSD e CDS estão a cobrir por cima esse carácter reaccionário” e que o estão a fazer sobre o que considerou ser “uma operação de branqueamento do nazismo, e fascismo de equiparação ao comunista”. O líder da bancada comunista salientou que o PCP “tem nas suas fileiras exemplos de gente que deu a sua vida contra o fascismo e para que Portugal tivesse uma democracia” e que “o povo português” há-de saber colocar "essa operação de branqueamento no caixote do lixo da história”. 

Foi um dos momentos mais quentes do debate em torno de cinco votos (PS, PCP e CDS), dois dos quais de saudação pela aprovação da resolução europeia apresentados pela IL e pelo Chega.

O líder da bancada comunista falava depois de ter ouvido o centrista Telmo Correia a anunciar que estaria a favor de todos os votos, incluindo o do Chega de “saudação” pela aprovação da resolução europeia. “Não há regimes totalitários bons ou menos maus, ou mais horríveis. Estes regimes correspondem a milhões de mortos”, disse, acrescentando que figuras como “Hitler, Mussolini, Pol Pot, Kim Jung Il” são “assassinos que merecem condenação”.

Para o bloquista Pedro Filipe Soares, a posição do CDS mostra que o partido “se deixa guiar pelo Iniciativa Liberal e Chega”. “Pobrezinho CDS do que foi e neste momento”, apontou, defendendo que o que foi votado no Parlamento Europeu “é uma tentativa de reescrever a história”. Pedro Filipe Soares lembrou que “ao BE nunca faltou a voz para condenar violação dos direitos humanos”, ao contrário do CDS sobre “a situação em Angola”.

A socialista Constança Urbano de Sousa salientou que é preciso “não entrar em equiparações simplistas, sobretudo, que possam conduzir ao revisionismo histórico”. Na defesa do voto do PS – o único dos cinco que foi aprovado – a deputada assumiu a condenação de “todos os totalitarismos, os de inspiração comunista e suas atrocidades” mas que não se podem esquecer “as atrocidades do nazismo”. Também Maló de Abreu, do PSD, defendeu a condenação de “todos os actos de agressão, a prática de crimes contra a humanidade, procurar criar futuro melhor para todos os europeus”, acrescentando que nos regimes totalitários “não os há bons ou maus”.

Os deputados únicos do Chega e da IL não têm direito a intervenção no debate mesmo como autores de votos, à luz do actual regimento, e assinalaram essa circunstância no plenário. 

O texto da IL foi chumbado com os votos contra de toda a esquerda, a abstenção do PAN e os votos favoráveis do PSD, CDS, IL e Chega. As mesmas bancadas estiveram a favor do texto do Chega, que teve os votos contra de toda a esquerda e do PAN. O PS e todas as bancadas à esquerda votaram contra o texto do CDS. Só o voto do PS foi um pouco mais consensual e mereceu o voto favorável de todas as bancadas à excepção de PCP, PEV e Chega. O texto aprovado estabelece que a Assembleia da República manifesta “o mais profundo respeito por todas as vítimas de regimes totalitários” e “reafirma a sua condenação de todos os regimes totalitários e a importância da valorização da memória para o futuro da Europa”.