Microsoft testa semana de quatro dias de trabalho no Japão: produtividade sobe 40%

Durante o mês de Agosto, nenhum dos 2300 trabalhadores da Microsoft Japão trabalhou às sextas-feiras. Como resultado, disseram estar mais felizes (e a produtividade também melhorou).

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Será feita outra experiência similar com os trabalhadores japoneses da tecnológica durante o Inverno Reuters/Brian Snyder

Quatro dias de trabalho, três dias de folga: foi este o modelo que a norte-americana Microsoft decidiu testar nos seus escritórios do Japão, num total de 2300 trabalhadores. Os resultados, divulgados na semana passada, foram positivos: houve um aumento de 39,9% nos níveis de produtividade (o resultado da divisão do número de vendas pelo número de funcionários, comparando-se com os valores homólogos de 2018) e conseguiram ainda fazer subir a taxa de cumprimento (mais 46%) do objectivo de fazer reuniões com a duração máxima de 30 minutos.

“Trabalhar pouco tempo, descansar bem e aprender muito”, resumiu o presidente e CEO da Microsoft Japão, Takuya Hirano. “Quero que os trabalhadores pensem nisto e percebam que conseguem alcançar os mesmos resultados com menos 20% de tempo de trabalho.” Nas conclusões da experiência, os funcionários disseram estar satisfeitos com as medidas de Verão, com 92% dos trabalhadores a afirmarem ter gostado da semana reduzida.

O objectivo é dar mais flexibilidade aos trabalhadores, conciliando-se mais facilmente a vida laboral com a vida pessoal. Assim, os trabalhadores da sucursal japonesa tiveram todas as sextas-feiras de Agosto livres e os escritórios foram fechados nesses dias. O salário era o mesmo, apesar de trabalharem menos dias.

Esta experiência tem como nome “Work Life Choice Challenge 2019 Summer” e através dela registou-se também uma redução de 59% do número de páginas impressas em Agosto (comparando com os dados homólogos de 2018) e do consumo de electricidade (menos 23%). 

O teste feito durante o mês de Agosto não passa, para já, de uma experiência-piloto – e não se sabe se será ou não aplicada definitivamente na empresa. Durante o Inverno deverá ser testado um modelo similar, avança o jornal britânico The Guardian. “Estamos sempre à procura de novas formas de inovar e alavancar a nossa própria tecnologia para melhorar a vivência dos nossos trabalhadores por todo o globo”, explicou um representante da empresa.

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MIGUEL FERASO CABRAL

Esta não foi a primeira empresa a testar este modelo: em 2018, a empresa neozelandesa Perpetual Guardian aplicou o modelo de quatro dias de trabalho durante dois meses, com os seus 240 trabalhadores. Os trabalhadores disseram sentir-se melhor, argumentando que se conseguiam concentrar mais facilmente no trabalho; os níveis de stress desceram 7%.

Em Julho, o PS anunciou que queria retomar a sua proposta do direito a desligar do trabalho nesta legislatura, depois de ter sido chumbada anteriormente. Os socialistas comprometem-se a regular “de forma equilibrada o direito ao desligamento, como factor de separação entre tempo de trabalho e tempo de não trabalho”.