Investigadores do Porto encontram “planeta improvável” em estrela gigante vermelha

A descoberta, publicada no The Astrophysical Journal, surge de um estudo sobre duas estrelas gigantes vermelhas, à volta das quais já se sabia que existiam “exoplanetas”.

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Uma imagem divulgada em 2017 pela NASA mostra outras duas estrelas, uma das quais é uma estrela gigante vermelha NASA/REUTERS

Uma equipa internacional, liderada por um investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), no Porto, estudou duas estrelas gigantes vermelhas e, numa delas, descobriu um “planeta improvável”, foi anunciado esta terça-feira.

Em comunicado, o IA explica que a descoberta, publicada hoje no The Astrophysical Journal, surge de um estudo sobre duas estrelas gigantes vermelhas — a HD 212771 e a HD 203949 — à volta das quais já se sabia que existiam “exoplanetas”. “A investigação estudou duas estrelas gigantes vermelhas à volta das quais se conheciam exoplanetas, e numa delas encontrou um planeta aparentemente improvável”, adianta o IA.

Para estudar estas duas gigantes vermelhas, os investigadores recorreram a dados de asterossismologia (ciência que estuda o interior das estrelas através da actividade sísmica medida à superfície — oscilações) recolhidos através do satélite TESS (NASA). Com estes dados, os investigadores conseguiram determinar as propriedades físicas das duas estrelas, como a massa, tamanho e idade, mas acabaram por “focar” a sua atenção na estrela HD 203949 devido ao “estado revolucionário” da mesma.

“O objectivo era perceber como é que o seu planeta conseguiu evitar ser engolido pela estrela”, refere o IA. Citado no comunicado, Vardan Adibekyan, um dos co-autores do artigo, explica que a “solução para este dilema científico” remete para o facto de as estrelas e os seus planetas “evoluírem em conjunto”.

“Neste caso particular, o planeta conseguiu evitar ser consumido”, frisa Vardan Adibekyan, para quem este estudo é a “demonstração perfeita” de que a astrofísica estrelar e a exoplanetária estão “ligadas”. “A análise da estrela parece sugerir que a estrela é demasiado evoluída para ainda ter um planeta numa órbita tão próxima, mas a análise exoplanetária mostra que o planeta está lá”, salienta.

Também Tiago Campante, o investigador da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) que liderou a investigação, afirma que só foi “possível” detectar as oscilações porque o satélite TESS tem “precisão suficiente para medir as pulsações à superfície das estrelas”.

“Estas estrelas relativamente avançadas na escala evolutiva têm planetas em redor”, proporcionando um “laboratório de testes” ideal para estudar a evolução de sistemas planetários”, concluiu o investigador.