Português eleito o melhor gerente de bar no Reino Unido

Pedro Paulo, criador do primeiro “cocktail de realidade virtual” e responsável pelo bar do hotel One Aldwych de Londres, conquistou um “óscar” da Boutique Hotelier, revista especializada na hotelaria de luxo.

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Pedro Paulo no Lobby Bar DR/One Aldwych

É de Olhão, começou a trabalhar por terras algarvias e acabou por fazer Gestão Hoteleira na Universidade do Algarve. Mas é em Londres, para onde se mudou há mais de uma década, que tem feito carreira na área dos bares e hotelaria de luxo, estando já habituado a somar distinções. Logo em 2013, foi eleito o melhor barman do Reino Unido. Agora, responsável pelo bar do hotel londrino One Aldwych​, acaba de vencer um dos prémios da Boutique Hotelier, revista dirigida a profissionais da hotelaria de luxo, decididos por um júri de profissionais: Bar Manager of the Year​.  

“Um orgulho”, diz-nos Pedro Paulo, que por coincidência está actualmente em Portugal para participar na Lisboa & Porto Cocktail Week, uma das muitas iniciativas no país para que tem sido convidado nos últimos anos como especialista – é considerado um mestre nos cocktails – e atracção profissional.

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Lobby Bar DR/One Aldwych
PÚBLICO - Pedro Paulo
Pedro Paulo DR/One Aldwych
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“Não é um prémio que surja de repente”, comenta a propósito da distinção revelada esta terça-feira, "é o reconhecimento de um trabalho feito ao longo de quatro anos no Lobby Bar do One Aldwych [um conceituado cinco estrelas em Convent Garden] e que tem corrido muito bem”. 

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PÚBLICO - O hotel One Aldwych
O hotel One Aldwych DR/One Aldwych
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Depois de alguns anos como barman, Pedro Paulo, que também trabalhou noutros locais icónicos, como o lendário hotel The Connaught,​ foi promovido a gerente e actualmente o seu trabalho passa pela supervisão global, da equipa ao espaço, decisões, encomendas ou cartas. Como se chega a ser considerado o melhor da sua área? “Como qualquer gerente de qualquer área, tem de se conseguir retirar o melhor de tudo, incluindo da equipa”. No caso, este prémio é até decidido a partir de vários parâmetros muito concretos, analisados após a nomeação, incluindo a gestão e manutenção dos trabalhadores, o conceito do bar, o menu de cocktails ou o foco na arte de bem receber os clientes, uma arte que o português considera essencial.

"Grande parte do meu dia é a trabalhar com os clientes, um papel de anfitrião", diz-nos, manifestando também o seu “orgulho” por o prémio lhe permitir também representar bem os portugueses que trabalham na hotelaria e noutras áreas do Reino Unido. "Dá uma boa imagem do profissionalismo dos portugueses", comenta, acrescentando que se “Portugal também traz a sua hospitalidade, um certo calor humano”, traz também “profissionais bem formados na área". Até porque, realça, como tem acompanhado várias iniciativas em Portugal, tem verificado que, em matéria de bares e cocktails, “a evolução tem sido muito, muito grande, particularmente a nível de técnicas e apresentação”. 

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The Origin, uma experiência de cocktail e realidade virtual DR/One Aldwych

Criador de cocktails por excelência, no seu Lobby Bar nunca falta criatividade no menu. Entre muitos, um bom exemplo é o primeiro “cocktail de realidade virtual do mundo". The Origin, de seu nome, nasceu em 2017 e tornou-se célebre (da Vice à Vogue, é escolher). A ideia é simples: a bebida é pensada para ser acompanhada por uma viagem em realidade virtual: com óculos VR postos, torna-se uma experiência multissensorial. No caso, sendo um cocktail com base de whisky escocês, a viagem visual é às Terras Altas da Escócia, aos locais onde nasce o whisky, das adegas até à criação do cocktail no próprio Lobby Bar londrino.

E, sendo assunto do dia, que tal um cocktail “Brexit"?, perguntamos. “Era capaz de não ser muito bem visto, não seria de bom-tom”, sorri Pedro Paulo, que espera que o “Brexit” não afecte particularmente a sua vida profissional em Londres, embora ainda esteja no domínio de “matéria especulativa” — apesar de esta quinta-feira se ter anunciado finalmente um acordo. Mas já “tem afectado ao nível de contratações e recursos humanos”, porque "há menos gente a ir para Londres por causa disso, quando antes seria um primeiro destino para um bartender ou mesmo para alguém formado na hotelaria".

Mas, uma coisa é certa, adianta: “Londres não sobrevive sem mão-de-obra estrangeira”. E o tal cocktail, caso o criasse, teria um “sabor algo amargo”.