Já há capa para o novo Astérix, protagonizado pela primeira vez por uma adolescente

Adrénaline está na capa e no centro da história de d’A Filha de Vercingétorix, que será publicado no dia 24. Tem uma longa trança ruiva e já gerou comparações com Greta Thunberg.

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Adrénaline é a primeira adolescente a protagonizar um livro de Astérix, o irredutível gaulês que ao 38.º álbum conta a história d’A Filha de Vercingétorix. A capa da nova aventura foi revelada segunda-feira em conferência de imprensa em Paris, numa altura em que se preparam as comemorações dos 60 anos de Astérix. “Pelo que sei, é uma adolescente revoltada. É normal, não é fácil viver a vida chamando-se Vercingétorix”, dizem os autores no site da editora Hachette, referindo-se ao mítico líder gaulês.

Criado por Réne Gosciny e Albert Uderzo, os gauleses Astérix e Obélix são talvez as mais famosas personagens da BD francesa das últimas décadas. Agora nas mãos de Jean-Yves Ferri (argumento) e Didier Conrad (desenho), terão uma nova história para contar por alturas do 60.º aniversário da criação da personagem e seu mundo de poções mágicas, javalis (sem hortelã, por Toutatis), romanos e menires. A narrativa regressa à aldeia gaulesa que resiste ainda e sempre ao invasor, e que é agora agitada pela chegada de uma adolescente que é a herdeira do combatente gaulês Vercingétorix, um dos líderes da revolta gaulesa contra Júlio César. O livro será lançado dia 24 e em Portugal é editado pela Asa.

Na capa, Astérix e Obélix cedem o centro a Adrénaline, cuja trança ruiva e ar grave sobre um fundo marítimo já gerou comparações com a activista pelo clima Greta Thunberg. A sua chegada, acompanhada por Monolitix e Ipocalorix vai agitar a aldeia e, claro, o álbum. Ferri e Conrad são os autores da importante série desde 2013 e colocam agora uma jovem na capa e na história, não sendo a primeira vez que uma mulher é central na história de Astérix e Obélix, dado o famoso Astérix e Cleópatra. Há outras personagens femininas, como a paixão de Obélix, Falbala, ou Naftalina/Bonemine, a mulher do chefe Abraracourcix, mas são escassas e os seus papéis estão muito presos aos seus congéneres masculinos.

Foi precisamente isso que reconheceu Didier Conrad na conferência de imprensa de segunda-feira em Paris. “Há poucas personagens femininas em Astérix e as que existem estão enraizadas no período dos anos 1960. Com a evolução dos costumes, temos a possibilidade de tornar a saga mais actual e de a perpetuar”, explicou, citado pela agência AFP. “O tema da adolescência nunca mais tinha sido tratado desde a personagem Gordurix em Astérix e os Normandos, em 1966. Hoje, podemos abordá-la de forma diferente”, completa Ferri. Houve ainda Zaza, em O Presente de César.

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Além de Adrénaline, que em Portugal se chamará Adrenalina, haverá mais dois adolescentes para lhe fazer companhia – Selfix e Blinix.

As comemorações dos 60 anos de Astérix incluíram já uma exposição na Biblioteca Nacional de França por ocasião das Jornadas Europeias do Património, em Setembro, uma colecção de selos, uma moeda de edição limitada e um álbum especial com desenhos e textos de 60 autores de todo o mundo. No metro de Paris, os nomes das estações transformaram-se por um dia (9 de Outubro) em paragens do mundo Astérix — Place de Clichy passou a Place de Clichix, por exemplo.

Para este 38.º livro serão impressos cinco milhões de exemplares – dois milhões de cópias irão para França, país onde anualmente se vendem 600 mil exemplares das várias histórias do pequeno gaulês que ganha força quando bebe a poção mágica. A edição portuguesa é uma das 15 em diferentes línguas e este será o quarto livro Astérix da dupla Conrad Ferri. Terá uma tiragem de 45 mil exemplares em Portugal, além de uma edição em mirandês.