Novo livro de Astérix conta história de filha de Vercingétorix

A nova personagem, filha adolescente do rei gaulês, será personagem central do novo livro, que será editado a 24 de Outubro

A nova personagem dará "uma visão mais moderna" do mundo habitado pelos irredutíveis gauleses
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A nova personagem dará "uma visão mais moderna" do mundo habitado pelos irredutíveis gauleses Asterix ® - Obelix ® / © 2017 LE/AFP / HANDOUT, DIDIER CONRAD

A nova aventura da aldeia de gauleses mais famosa do mundo vai ter uma nova personagem, a filha de Vercingétorix, uma jovem adolescente que se junta a Astérix e Obélix no novo livro, que sairá a 24 de Outubro.

As edições Albert René, que publicam as histórias dos gauleses, desvendaram esta quarta-feira mais alguns detalhes sobre a próxima aventura dos heróis da banda desenhada. Desta vez, Astérix e Obélix vão viver a história A filha de Vercingétorix, inspirada num torque, objecto decorativo usado pelos guerreiros gauleses.

Vercingétorix faz parte da história de França como um dos líderes da revolta gaulesa contra Júlio César e já figura noutros livros da saga de Astérix, mas não será ele o personagem com destaque na nova aventura. A acção vai centrar-se numa nova personagem, a sua filha, e nas personagens tradicionais, conhecendo-se apenas a sombra desta jovem, sem ter sido mostrado qualquer detalhe do seu desenho.

“Esta é uma mulher mais jovem do que as anteriores personagens centrais nos livros, como Cleópatra. É uma adolescente que não é da aldeia e é verdade que os gauleses são guerreiros, mas ela vai dar uma visão mais moderna deste mundo. A dificuldade de fazer o argumento do Astérix é que temos de escolher personagens fortes, mas que, ao mesmo tempo, não devem ofuscar Obélix e Astérix”, disse Jean-Yves Ferri, argumentista de Astérix desde 2011, na conferência de imprensa onde foram revelou mais pormenores sobre a nova aventura e que aconteceu esta quarta-feira no Parque Astérix, nos arredores de Paris.

Para além de desvendar o título do próximo livro, a conferência de imprensa serviu para mostrar a primeira página desta nova aventura e dar a conhecer o programa das comemorações do 60º aniversário da publicação do primeiro livro, que vão decorrer durante todo o ano de 2019.

Para além da publicação do livro a 24 de Outubro, haverá também uma colecção de selos dos correios franceses, uma edição limitada de uma moeda de dois euros, uma exposição na Biblioteca Nacional de França e um álbum de homenagem com 60 autores franceses e internacionais.

O secretismo à volta desta nova aventura alarga-se também aos editores de cada país. As edições Asa, que editam os livros de Astérix em Portugal, conheceram o título do novo lançamento pouco tempo antes dos jornalistas: “O álbum é envolto num sigilo absoluto e nós, editores, sabemos a história muito pouco antes de ela ser lançada, apenas o tempo exacto para a podermos traduzir”, disse o editor Vítor Silva Mota, em declarações à agência Lusa.

As edições Asa vão receber, mais perto do lançamento, um álbum a preto e branco, a partir do qual será feita a tradução em cooperação estreita com as edições Albert René, que participam e aprovam as traduções nos vários países. “Recebemos o álbum sem estar colorido, temos um tradutor oficial que faz a tradução e esta é aprovada pelas edições Albert René, às vezes há algum debate já que um dos grandes atributos do Astérix são os jogos de palavras e esses jogos são de difícil tradução ou intraduzíveis e têm de ser adaptados”, indicou o editor português, que acrescentou ser tudo discutido “à vírgula” com a editora francesa.

A nova aventura terá uma tiragem de 45 mil livros em Portugal e sairá também a 24 de Outubro. Segundo a editora Asa, tal como no passado, voltará a haver uma tiragem em mirandês.

Uderzo e René Goscinny revelaram Astérix na revista Pilote em 1959. O primeiro livro, Astérix, o Gaulês, só saiu em 1961, dando início a uma das mais bem-sucedidas séries de banda desenhada, com mais de 350 milhões de livros vendidos em todo o mundo.

A parceria entre Uderzo e Goscinny terminou em 1977 com a morte do argumentista, mas o nome de ambos foi sempre mantido na assinatura das histórias. Albert Uderzo, de 88 anos, retirou-se da série em 2011, alegando cansaço.