Caixa faz “gigantesco” aumento de comissões e passa a cobrar 88,4 cêntimos no MB Way

Custo da actualização da caderneta ao balcão duplica de valor e alguns clientes vão pagar conta de serviços mínimos bancários. A CGD passa a ser o quinto banco a cobrar pelas transferências no MB Way, mas há algumas isenções.

O banco público é presidido por Paulo Macedo
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O banco público é presidido por Paulo Macedo Nuno Ferreira Monteiro

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) acaba de fazer uma “mega” actualização dos custos de vários produtos bancários, incluindo as chamadas contas pacote, mas também as transferências de dinheiro realizadas pela aplicação MB Way, que passam a custar 88,4 cêntimos.

A actualização do preçário, avançada esta quarta-feira pelo Eco, também inclui a conta de serviços mínimos bancários (SMB), que passa a ter um custo para alguns clientes.

A CGD, que tem actualizado o preçário com frequência, agrava também os levantamentos ao balcão, os cheques, cadernetas e até a comissão de processamento da prestação da casa é agravada. Os novos preços entram em vigor em Janeiro do próximo ano.

Entre as actualizações ao preçário destaca-se a decisão de passar a cobrar pelas transferências realizadas através da aplicação (app) MB Way, uma operação que a partir de 25 de Janeiro passa a custar 88,4 cêntimos.

A CGD passa a ser o quinto banco (seguindo os passos do BPI, BCP, Santander e Caixa de Crédito Agrícola) a cobrar por este serviço. De acordo com o Eco, ficam isentos os clientes com menos de 26 anos e os que têm “Conta Caixa”, mas com alguns limites. Na aplicação da Caixa, alternativa àquela que foi desenvolvida pela SIBS, não se pagará qualquer valor.

Outra novidade é a cobrança pela conta de serviços mínimos bancários, que na instituição pública não tinha qualquer custo para os clientes. A partir de 25 de Janeiro, os clientes que apresentarem rendimentos acima do salário mínimo nacional vão passar a pagar 35 cêntimos por mês (4,20 euros anuais).

Nova penalização dos reformados

O banco liderado por Paulo Macedo, que na primeira metade do ano gerou lucros de 400 milhões de euros (com o contributo da venda de activos em Espanha), estendeu o aumento de comissões das chamadas contas pacote (que agregam vários serviços com um custo único), penalizando as de custo mais baixo, e que são as que agregam os clientes mais idosos ou com menos envolvimento com o banco.

Assim, a Conta S passará, para quem cumpre determinados requisitos, de 2,912 euros mensais, para 3,328 euros, representando um encargo anual acrescido de cinco euros. Quem não cumpre esses requisitos, e já pagava 4,16 euros mensais, passará a suportar 5,148 euros, mais 12 euros. Há, no entanto, alterações no número de transferências bancárias sem custos que passam de duas mensais para quatro (inclui as transferências MB Way). A Conta M e L não têm agravamento de custo mensal.

Os clientes que ainda mantêm as velhas cadernetas, com as quais já não podem, desde 14 de Setembro, fazer levantamentos ou transferências nas caixas automáticas, vão passar a pagar bem mais pelo seu uso aos balcões. Também a partir de 25 de Janeiro, por cada levantamento ao balcão passam a pagar 3,12 euros, acima dos 2,86 euros actualmente em vigor.

As actualizações de cadernetas feitas ao balcão duplicam de valor, passando dos actuais 1,04 euros para 2,08 euros. Estes agravamentos visam forçar os clientes a deixar de usar as cadernetas e a passarem a usar cartões de débito, bem como a deixarem de ir aos balcões, utilizando os meios alternativos, nomeadamente pela utilização de caixas de Multibanco.

A requisição e entrega de cheques também sofre várias alterações, com destaque para a compra de três cheques nas caixas automáticas, que passará a custar 5,00 euros, contra 3,74 euros anteriores. A requisição de um módulo de 11 cheques cruzados passa de 13,73 euros para 15,6 euros. E as requisições aos balcões ou por telefone também são agradados.

O aluguer de cofre com até 20,99 decímetros cúbicos de dimensão também sobe, passando de 61,5 euros anuais para 67,65 euros.

“Prémio” para os Caixa Azul

Quem tem crédito à habitação também vai ser penalizado a partir de Março, já que o custo de processamento da prestação, passará de 2,60 euros mensais para 2,86 euros. Ao fim de um ano, este encargo passará a ascender a 34,32 euros.

Já os clientes Conta Caixa Azul, que é atribuída a clientes com maiores rendimentos , vão ter uma redução de custos. O custo passa, em alguns casos, os que têm maior envolvimento com o banco, dos actuais 7,28 euros mensais, para 5,20 euros. Para os restantes Caixa Azul mantêm-se os encargos em vigor.