Mais de 130 autarquias candidatas a apoios para destruir ninhos de vespa asiática

Governo disponibilizou 1,4 milhões de euros para ajudar câmaras municipais. Direcção-Geral da Saúde faz vídeo para alertar sobre o comportamento deste tipo de vespa detectada em Portugal desde 2011.

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Nelson Garrido

Mais de 130 câmaras municipais já se candidataram ao fundo de apoio que o Governo criou no início do ano para combater a vespa asiática. Presente no país desde 2011, a vespa asiática tem sido notícia nas últimas semanas depois terem sido detectados alguns ninhos em Lisboa e Sintra. A Direcção-Geral da Saúde criou um vídeo no qual alerta para o comportamento da vespa asiática e deixa conselhos sobre como agir. Não há, até ao momento, nenhuma morte atribuída directamente à picada da vespa asiática.

Em Fevereiro, o Governo criou um fundo de apoio para o combate à vespa asiática, através da destruição de ninhos, a ser usado pelas autarquias. O valor disponibilizado começou por ser um milhão de euros e foi, entretanto, reforçado com mais 400 mil euros. “Foram já recebidas 137 candidaturas de municípios aos apoios disponibilizados pelo Governo para a destruição de ninhos”, disse ao PÚBLICO fonte do gabinete do ministro da Agricultura, Capoulas Santos.

A medida faz parte do “Plano de Acção para a Vigilância e Controlo da Vespa velutina em Portugal, que tem por objectivo enquadrar a actuação nacional face ao estabelecimento e disseminação da vespa asiática que se tem vindo a verificar”. De acordo com o despacho, publicado em Diário da República em Fevereiro, o valor do apoio financeiro a atribuir por candidatura é de 10 mil euros.

O combate à vespa asiática ou vespa velutina levou à criação de uma comissão de acompanhamento para a vigilância, prevenção e controlo deste insecto conhecido por ser um predador das abelhas europeias e, por isso, com impacto directo na produção apícola. No primeiro semestre deste ano, recorda o Ministério da Agricultura, já “foram destruídos tantos ninhos quantos os que foram destruídos ao longo de todo o anterior — mais de 5600”.

“Desde a detecção da espécie em Portugal, a progressão desta espécie exótica invasora tem-se registado de Norte para Sul e do litoral para o interior. A Sul, estende-se até às margens do rio Tejo, tendo sido confirmadas ocorrências, já este ano, na zona Norte do distrito de Portalegre”, diz ainda o ministério.

Sem mortes directas associadas

Nas últimas semanas foram detectados de ninhos da vespa velutina nas zonas de Lisboa e Sintra, que condicionaram a Quinta das Conchas e Quinta dos Lilases e o Parque da Pena, respectivamente. E houve igualmente notícias de mortes associadas a picadas de vespas ou abelhas em vários pontos do país, sobretudo a Norte.

Ao PÚBLICO a Direcção-Geral de Saúde (DGS) explicou que “até ao momento, nenhuma morte foi atribuída directamente a picadas de vespas asiáticas”. Ainda assim, o alarme gerado pela expansão da presença deste insecto e o facto de “atacar em enxame, podendo concretizar perseguições ao longo de centenas de metros, produzindo picadas múltiplas”, como refere o Ministério da Agricultura, justificou um alerta por parte da DGS.

“A divulgação da informação sobre a vespa vem na sequência do acordado pela Comissão de Acompanhamento para a Vigilância, Prevenção e Controlo da Vespa Velutina. Ficou determinado que, no âmbito do plano de informação/sensibilização — e atendendo à percepção de crescente alarme entre a população —, importaria promover a divulgação de informação sobre a vespa velutina, de modo o mais abrangente possível”, explica a DGS.

Deste modo, foi divulgado no Portal do SNS e também nas redes sociais da DGS um texto acompanhado de um vídeo que explica o comportamento da vespa asiática, assim como as suas características, e a forma de actuação perante a presença do insecto.