Opinião

A importância crescente do turismo

Com todo o potencial que demonstramos, e estando o setor em franco crescimento, falta, no entanto, dotar os nossos recursos humanos de mais e melhor formação.

Assinala-se hoje o Dia Mundial do Turismo, este ano sob o lema “Turismo e emprego: um futuro melhor para todos”. Só por si, o tema escolhido remete para as oportunidades que o setor do turismo oferece a quem nele investe, aos que a este setor recorrem à procura de emprego e a todos que dele beneficiam, com o que isso representa para a economia portuguesa e muito em particular para a coesão do território. Hoje, não só a Norte, como em todas as outras regiões do país, é consensual que o turismo é um eixo estratégico para o desenvolvimento sustentado do território, permitiu a regeneração do tecido urbano e do património edificado e conseguiu, em muitas regiões, atingir o pleno emprego.

Com todo o potencial que demonstramos, e estando o setor em franco crescimento, falta, no entanto, dotar os nossos recursos humanos de mais e melhor formação. Valorizando as pessoas reforça-se a qualidade do serviço que temos para oferecer. Temos que estar conscientes que recebemos, cada vez mais, turistas com níveis de exigência elevados, onde o preço não é objeção, mas sim a qualidade do serviço recebido. É, por isso, fundamental criar pontes com as universidades e politécnicos e apostar na formação superior, seja através de licenciaturas, bacharelatos ou cursos profissionais, nas várias áreas do turismo.

Juntar sinergias entre aquilo que são as políticas públicas estratégicas e de promoção dos destinos com a dinâmica e capacidade empreendedora dos privados é um caminho em que importa apostar para se chegar a uma oferta cada vez mais diferenciadora.

Num país onde o turismo representa já 14% do PIB e numa Europa que quer estar mais próxima dos cidadãos, apoiando estratégias de desenvolvimento, é fulcral que o próximo Quadro Comunitário de Apoio contemple o setor do turismo, numa dimensão que permita reforçar esta aposta na formação, na certificação, num turismo sustentável, amigo do ambiente, servido por bons eixos rodoviários e ferroviários. No Norte é estratégico investir na Linha do Douro e no melhoramento de pequenos troços de estradas, que permitam maior e melhor mobilidade dentro dos territórios. A existência desta aposta por parte do próximo Quadro Comunitário é determinante para alavancar o crescimento da nossa região.

No caso da Região Norte, estamos a implementar um plano de médio/longo prazo que permita valorizar os produtos estratégicos do Porto e Norte: turismo de Negócios, Gastronomia e Vinhos, Natureza, City Short Breaks, Religioso, Cultural e Saúde/Bem-Estar.

Só com um plano ambicioso e sustentado que envolva as entidades promotoras do turismo, os operadores turísticos e restantes players do setor será possível promover a jusante a multiplicidade de experiências que temos para oferecer, aumentando o número de dormidas e, sobretudo, a estada média de cada turista. E contrariar os números atuais que nos dizem que 72% dos cerca de 4,5 milhões de turistas que recebemos em 2018 ficaram na Área Metropolitana do Porto. Embora me assuma como um conhecedor da região, confesso que desde que assumi as funções de presidente desta entidade descobri recantos escondidos neste belo território, onde todas as valências do turismo têm equipamentos e recursos naturais com patamares de excelência.

Por isso, a promoção da região deve passar pelo reforço da realização de press trips e fam trips, privilegiando os territórios de baixa densidade, o potencial de internacionalização do destino e a construção de projetos transversais ao território.

O turismo no Porto e Norte de Portugal vive um momento único, tendo-se afirmado durante todo o primeiro semestre como o destino que mais cresce na atividade turística a nível nacional. Em dois meses consecutivos, junho e julho, registaram-se mais de um milhão de dormidas na região, potenciando a valorização dos proveitos turísticos, item em que a região tem o maior aumento percentual do País com um crescimento de 10,3% desde janeiro. Esta é uma tendência que vem sendo consolidada desde o início do ano e que tem tudo para continuar a crescer. Conforme tenho dito por diversas vezes, estou convencido que, em vários dos nossos sub-destinos, o melhor ainda está para vir.

O autor escreve segundo o novo Acordo Ortográfico