Governo disponibiliza 1,5 milhões a empresas afectadas pela Thomas Cook

Soluções para ajudar as empresas lesadas pela falência do operador turístico britânico foram hoje divulgadas. A maior ajuda vai para as regiões mais afectadas: Algarve e Madeira.

Foto
Andreia Gomes Carvalho

Vão ser disponibilizados 1,5 milhões de euros às empresas afectadas pela falência da Thomas Cook que recorrerem à linha de apoio aberta para o efeito. O Governo anunciou novas soluções esta sexta-feira, 27 de Setembro, em comunicado.

As empresas portuguesas que tenham sido afectadas pelo colapso do operador turístico podem recorrer a uma linha de apoio “que disponibiliza até 1,5 milhões de euros por empresa para financiamento de necessidades de tesouraria, com condições vantajosas e por um prazo até três anos”, lê-se no comunicado.

Esta linha de apoio dispõe de um “plafond de 150 milhões de euros” e foi criada no âmbito do Programa Capitalizar – programa que pretende ajudar as empresas em fases de investimento, financiamento e criação de capital.

Para além desta medida que abrange todo o território nacional, o Governo criou o “Plano Especial de Promoção para o Algarve e a Madeira”, os destinos mais afectados pela liquidação da Thomas Cook. Em parceria com a Associação do Turismo do Algarve e a Associação de Promoção da Madeira, o plano conta com “2,25 milhões de euros” e “visa aumentar a procura e os níveis de transporte aéreo e de operação turística nos mercados emissores do Reino Unido, Alemanha, França, Holanda, Irlanda, Polónia e Mercados nórdicos”.

O Governo garante ainda que, com o Turismo de Portugal, tem estado a monitorizar de forma permanente a evolução” da situação, “designadamente através das equipas de turismo no estrangeiro e das embaixadas desses mercados em território nacional”.

A avaliação dos acontecimentos e definição de próximas etapas será feita em reunião já neste fim-de-semana, dia 28, “entre o Turismo do Algarve e o Turismo de Portugal com as associações e empresas afectadas”.

O operador turístico britânico Thomas Cook anunciou a 23 de Setembro a falência depois de não ter conseguido encontrar os fundos necessários para garantir a sua sobrevivência. Entrou em “liquidação imediata”, deixando centenas de milhares de turistas retidos nos destinos. Elidérico Viegas, presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), defende que a situação da Thomas Cook é “muito difícil, na medida em que as empresas ficam com milhões de euros de facturas por cobrar”.

Espanha pede ajuda à UE

Segundo o El País, o governo espanhol pediu à União Europeia que destinasse recursos do Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização para atenuar as consequências da falência da Thomas Cook. Reyes Maroto, ministra da Indústria, Comércio e Turismo de Espanha esteve em Bruxelas com a comissária do Emprego, Marianne Thyssen, e pediu ajuda para Espanha e para outros países prejudicados, como Grécia e Portugal.

O Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização “concede apoio a pessoas que perderam o emprego na sequência das grandes mudanças estruturais ocorridas a nível do comércio mundial por motivos relacionados com a globalização”, segundo a página da Comissão Europeia. O fundo dispõe de 150 milhões anuais e “pode financiar até 60% do custo de projectos destinados a ajudar trabalhadores que perderam o emprego”.

“Somos vários os países afectados” disse a ministra, que referiu já se ter reunido com o ministro da Economia – Pedro Siza Vieira – que partilhou do seu interesse de ver a situação como um todo europeu, apesar do requerimento do fundo ter de ser feito individualmente.

A ministra diz que a falência da empresa britânica põe em risco “quase mil postos de trabalho” devido às filiais nas Ilhas Baleares. Em Espanha estão a ser discutidas medidas, mas ainda nada foi apresentado.