Congresso trabalhista aprova a neutralidade de Corbyn perante o “Brexit”

Segundo a liderança do partido, só depois de um hipotético segundo referendo haverá uma clarificação. Moção da ala remainer saiu derrotada.

Keir Starmer, ministro sombra trabalhista para o 'Brexit'
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Keir Starmer, ministro sombra trabalhista para o 'Brexit' Reuters/PETER NICHOLLS

A liderança de Jeremy Corbyn saiu esta segunda-feira reforçada no congresso do Partido Trabalhista, que decorre em Brighton, quando as bases aprovaram a sua moção sobre o “Brexit”. O partido vai manter-se neutral caso haja um novo referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia.

Estavam em votação várias moções moções, uma delas impulsionada pela ala que exige que o partido assuma desde já uma posição clara de permanência na UE. A votação desta moção, mais um episódio no braço-de-ferro entre esta facção e a liderança de Corbyn, foi o momento mais decisivo (e dramático) da reunião dos trabalhistas, que termina na quarta-feira. A presidente da mesa do congresso, Wendy Nichols, começou por dizer que a moção dos remainers tinha sido aprovada, mas, pouco depois, corrigiu para dizer que tinha sido chumbada, recusando uma recontagem e dando o assunto por encerrado.

Segundo a moção vencedora, Jeremy Corbyn quer manter a neutralidade até bem depois de se realizarem eleições legislativas. Segundo o seu plano estratégico, quer primeiro vencê-las e negociar, durante três meses, com Bruxelas, um acordo de saída. Seis meses depois, realizará então um segundo referendo, tomando nessa altura uma posição definitiva sobre se o partido apoia a saída ou a permanência na UE, segundo a BBC.

Os estrategas políticos trabalhistas afectos à liderança, receiam que se o partido assumir desde já que é a favor da permanência possa perder círculos eleitorais que no referendo de 2016 votaram pela saída, diz o Guardian.

Posicionamento rejeitado pelos que consideram que esta falta de posicionamento prejudica o partido em eleições, favorecendo os Liberais-Democratas e os Verdes, claros no seu posicionamento anti-"Brexit”. “Não conseguimos ganhar eleições se não tomarmos partido de um dos lados”, disse à BBC Simon Hannah, um dos proponentes da moção derrotada. “Precisamos de dizer em claro e bom som que somos um partido pela permanência”.

Foi para tranquilizar essa ala que o ministro sombra dos trabalhistas para o ‘Brexit’ e um dos homens fortes de Corbyn, Keir Starmer, subiu ao púlpito. “Tenho hoje uma mensagem muito simples: se querem um referendo, votem Labour. Se querem uma última palavra sobre o ‘Brexit’, votem Labour. Se querem lutar pela permanência, votem Labour. O Labour vai deixar as pessoas decidirem”, disse, com os congressistas a aplaudirem.

Desde que chegou à liderança do Labour que Corbyn, que se opôs à entrada do Reino Unido na Comunidade Europeia, tem optado por uma posição ambígua face à futura relação de Londres com Bruxelas. O seu partido votou por três vezes contra o acordo alcançado entre o Governo de Theresa May e Bruxelas na Câmara dos Comuns, sem nunca assumir uma posição mais clara

Na reunião dos trabalhistas foram aprovadas outras propostas, por exemplo que no programa eleitoral das próximas eleições esteja inscrito um pleno para abolir as escolas privadas, integrando-as, e às suas propriedades, na rede pública.

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