“Vamos meter medo no coração do homem branco” e outras citações de Robert Mugabe

O antigo Presidente do Zimbabwe nas suas palavras, desde a célebre metáfora de transformar as espadas em arados, no discurso da independência, até à crença de ter sido nomeado pela divina providência. Não faltando o “deixem-me ser Hitler dez vezes”.

,Presidente do Zimbábue
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“Vamos meter medo no coração do homem branco, o nosso verdadeiro inimigo; que o homem branco trema”, disse Mugabe em 2000 Philimon Bulawayo/Reuters

Desde o tempo em que era um líder da luta de libertação na Rodésia do Sul e depois na Rodésia, passando pelo seu estatuto de herói da independência e em todos os anos em que se manteve na liderança do Zimbabwe, Robert Mugabe, que esta sexta-feira morreu aos 95 anos, nunca se poupou nas palavras. Foi polémico, inspirador, provocador, tirou líderes do sério, acirrou ódios, mas quase nunca foi aborrecido. Aqui ficam algumas citações ao longo de mais de meio século.

“A África tem de voltar a ser aquilo que era antes do imperialismo a dividir. São divisões artificiais que nós, no nosso conceito pan-africanista, vamos procurar remover.”
Discurso em Salisbury (antiga Rodésia), em 1962.

“Seguramente este é o tempo de transformar as nossas espadas em arados, de modo a resolver os problemas para desenvolver a nossa economia e a nossa sociedade.”
Discurso da independência, em 1980.

“Fiquem connosco, por favor, fiquem no país e formem uma nação assente na unidade nacional.”
Apelo aos brancos num comício da ZANU-PF, em 1980.

“Os homossexuais são piores que cães e porcos; cães e porcos nunca se envolverão nessa loucura homossexual; nem os insectos fazem isso.”
Depois do seu Governo ter encerrado, em 1995, uma exposição de livros de gays e lésbicas do Zimbabwe na Feira Internacional do Livro de Harare.

“Vamos meter medo no coração do homem branco, o nosso verdadeiro inimigo; que o homem branco trema.”
Discurso sobre a reforma agrária em que defendeu a confiscação da terra dos agricultores brancos, no ano 2000.

“Não pedimos um metro que seja da Europa, nenhum metro quadrado dessa terra, por isso, [Tony] Blair, fica lá com a tua Inglaterra e deixa-me ficar com o meu Zimbabwe.”
Discurso aos chefes de Estado e de Governo na Cimeira da Terra, na África do Sul, em 2002.

“Ainda sou o Hitler do momento. Este Hitler tem apenas um objectivo: justiça para o seu povo, soberania para o seu povo, reconhecimento da independência do seu povo e do seu direito aos seus recursos. Se isto é ser Hitler, deixem-me ser dez vezes Hitler. Dez vezes. É por isso que nos batemos.”
Discurso no funeral de Estado de um ministro, em 2003.

“Das suas mãos escorre sangue inocente de muitas nacionalidades. Mata no Iraque. Mata no Afeganistão. E é suposto ser este o nosso mestre em direitos humanos?
Ataque ao então Presidente dos EUA George W. Bush na Assembleia-Geral das Nações Unidas em 2007.

“A nossa economia é 100 vezes melhor que que a economia africana média. Tirando a África do Sul, que outro país é [tão bom como] o Zimbabwe? O que nos falta são produtos nas prateleiras – é só isso.”
Entrevista em 2007.

“Só Deus, que me nomeou, me afastará – nem o MDC [principal partido da oposição], nem os britânicos.”
Campanha eleitoral de 2008.

“Eu morri muitas vezes – aí ganhei a Cristo. Cristo morreu uma vez e ressuscitou uma vez.”
Declaração à rádio pública no dia em que completou 88 anos, em 2012.

“Alguns de entre nós ficámos envergonhados por aquilo que parece ser o regresso do Golias bíblico, gigante e dourado, que ameaça outros países com a extinção. Sr. Trump, por favor, sopre o seu clarim. Mas, sopre o seu clarim de forma musical. No sentido dos valores da unidade, da paz, da cooperação, da união e diálogo.”
Discurso na Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Setembro de 2017.