Ângelo Rodrigues tratado em câmara hiperbárica – o que é e como funciona?

Actor corre o risco de perder uma das pernas. Tratamento em câmara hiperbárica poderá inverter a situação.

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Em Portugal continental, há três câmaras hiperbáricas Rui Gaudêncio/PÚBLICO

Depois de ter sido submetido a cirurgias para retirar tecidos mortos e músculos infectados, o actor Ângelo Rodrigues vai ser tratado, a partir desta segunda-feira, em câmara hiperbárica. Objectivo: acelerar a cicatrização e pôr de parte uma possível amputação a uma das pernas, da qual foi retirada uma grande quantidade de tecido necrosado.

Ângelo Rodrigues, que se encontra internado no Hospital Garcia de Orta, desde há uma semana, na sequência de uma infecção provocada por injecções de testosterona que o próprio terá administrado por razões estéticas, vai começar a ser tratado no Hospital das Forças Armadas, onde se encontra a única câmara hiperbárica na região de Lisboa – em Portugal continental, há apenas mais duas câmaras a serem usadas pelo Serviço Nacional de Saúde: no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, e no Hospital Privado do Algarve, em Alvor. Já nas regiões autónomas, contabilizam-se três máquinas: no Hospital do Divino Espírito, em Ponta Delgada; no Hospital da Horta; e no Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal.

A finalidade deste tratamento, que consiste em colocar o paciente numa câmara que é pressurizada, para recriar o ambiente de profundidade (é como se estivesse a mergulhar), onde posteriormente começa a receber oxigénio a 100%, passa por acelerar o processo de cicatrização. Ou seja, este oxigénio chega mais rapidamente às células e aos tecidos, permitindo uma regeneração mais rápida. No fim do tratamento, a câmara é despressurizada e os utentes passam pelo processo de descompressão.

O director do Centro de Medicina Subaquática e Hiperbárica, Francisco Gamito Guerreiro, confirmou a terapêutica em declarações à SIC Notícias, explicando que o centro em questão “foi criado para dar apoio aos mergulhadores e submarinistas da Armada”. No entanto, desde 2015, aproveitando a capacidade da câmara (trata 12 pessoas de cada vez), o espaço passou a receber utentes do Sistema Nacional de Saúde que, hoje, representam em torno de 98% dos utilizadores desta terapêutica no hospital.

Câmara hiperbárica – o que trata?

A oxigenoterapia hiperbárica consiste em oferecer oxigénio puro (100%) a alguém num ambiente com uma pressão duas a três vezes superior à pressão atmosférica ao nível do mar, no interior de uma câmara estanque. O resultado é um enorme aumento do oxigénio transportado pelo sangue (cerca de 20 vezes mais do que numa situação regular, ao nível do mar) que, por sua vez, permite combater infecções bacterianas e por fungos, acelerar a cicatrização de feridas crónicas e agudas, neutralizar substâncias tóxicas e toxinas e aumentar o efeito de alguns antibióticos.

Entre as patologias indicadas para este tipo de tratamento estão as feridas de difícil cicatrização (como as que surgem em diabéticos); infecções graves com destruição muscular, de pele, ou gordura subcutânea; lesões de bexiga, intestinos, ossos e cérebro; procedimentos de cirurgia plástica reconstrutiva; queimaduras extensas.

A opção deste tratamento é da responsabilidade do médico assistente que o pode recomendar e redireccionar os utentes para um dos centros que possuem essa tecnologia, sendo o utente isento de pagamento (inclusivamente de taxa moderadora).