Crítica

O cowboy e a fluffer

O final é uma estocada assombrosa, mais uma “operação kino” de Tarantino. Mas para aí chegar percorre-se um árduo caminho.

Hollywood
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Depois de a ficção ter permitido que Vincent Vega (John Travolta) fechasse de mansinho e vivo as portas de Pulp Fiction (1994) —  ele que antes fora abatido de forma pouco gloriosa à saída de uma casa de banho —, o Deus ex-machina Tarantino faz-se poeta em Era uma vez... em Hollywood. A barbárie é vingada e retribuída e ficamos com um cowboy desengonçado pela atrapalhação e com a sua vizinha loura com a brisa de Verão na voz — como Marilyn Monroe, que foi vizinha de Tom Ewell n’O Pecado Mora ao Lado, de Billy Wilder.