PSD propõe suspensão da requisição civil para se retomarem as negociações

David Justino acusa o Governo de estar a promover “um aparato coercivo injustificado” e uma “humilhação dos trabalhadores e dirigentes sindicais”.

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LUSA/MANUEL FERNANDO ARAÚJO

Primeiro, o PSD concordou com a actuação do Governo, e não com o aparato. Agora, continuando a criticar o aparato, critica também a actuação do executivo de António Costa que diz estar a “dramatizar as consequências do cenário de greve” e a demonstrar a força “num aparato coercivo injustificado”, na “tentativa de humilhação dos trabalhadores e dirigentes sindicais”. A solução dos sociais-democratas, pela voz de David Justino, passa por o Governo empenhar a sua força em restabelecer as negociações, “mesmo que para tal seja necessário suspender a requisição civil”.

Esta alternativa do PSD será possível, “desde que as posições irredutíveis dos sindicatos e dos representantes do patronato possam ser superadas, nomeadamente pela suspensão da greve – tal como foi sugerido recentemente pelo presidente do PSD – e pela negociação sem condições prévias”, disse aos jornalistas, numa conferência de imprensa, o vice-presidente social-democrata.

Antes de a greve começar, Rui Rio já tinha defendido num tweet que “o mais sensato” seria “adiar a greve para o pós-eleições e, até lá, tentar um acordo”. Esta posição do líder social-democrata levou a uma onda de críticas na rede social Twitter, uma vez que não cabe ao Governo decretar o fim da greve mas às partes envolvidas. Rio responderia com ironia, dizendo que aprendia “com quem tanto sabe” que afinal não era o Governo a decretar o fim da greve.

Perante esta posição, o PSD insiste na ideia e, disse David Justino, “se o PSD fosse Governo teria forçado uma situação de entendimento nem que fosse provisório”. Para o social-democrata, será “difícil” chegar a um entendimento sem que as três partes “abdiquem” de alguma coisa e, para isso, o Governo “deve dar o primeiro passo” no sentido de criar condições para as negociações. “Ou há negociação e as partes têm a coragem de abdicar dos seus instrumentos de influência para se sentarem à mesa e tentarem encontrar uma solução ou então não há nenhuma solução”, avisou.

Esta posição do PSD aconteceu depois de o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, ter apelado às partes para se voltarem a sentar à mesa e depois de o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas ter desafiado a associação de empresas, a Antram, para uma reunião. 

Nesta conferências de imprensa, David Justino reforçou as críticas ao executivo, dizendo que se tem vindo a assistir no último mês a um “circo mediático” e que estava criado “o clima emocional favorável a uma intervenção musculada e espectacular - no original sentido da palavra – por parte do Governo que culminou com a esperada requisição civil dos trabalhadores em greve”.