António Costa: “Felizmente não tem sido necessário decretar a requisição civil”

À saída de uma visita à Protecção Civil, António Costa reafirmou que o Governo está preparado para a greve, mas diz que o país “não pode viver permanentemente em serviços mínimos”.

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António Costa na reunião da ANEPC LUSA/ANTÓNIO PEDRO SANTOS

O primeiro-ministro, António Costa, participou nesta segunda-feira de manhã numa reunião de 45 minutos na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC) destinada a acompanhar a evolução da greve dos motoristas de matérias perigosas e de mercadorias e disse, à saída, que para já tudo decorre com “normalidade” e que não se coloca por agora a questão de avançar com a requisição civil de trabalhadores. “Felizmente não tem sido necessário decretar a requisição civil”, afirmou o governante, já depois de o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) ter afirmado que iria deixar de cumprir os serviços mínimos estipulados.

“Até ao momento tem tudo decorrido na normalidade de uma greve. Se posso deixar um conselho às partes é: aproveitem esta ocasião para fazer as negociações”, disse ainda António Costa, quando questionado sobre a ameaça do sindicato em matéria de serviços mínimos. O Governo tem-se oferecido como mediador do conflito, mas até ao momento essa opção estipulada por lei tem sido recusada pelos sindicatos. Para já, o chefe do Governo “deseja” que não seja preciso “fazer mais nada do que já foi feito” evitando a última arma que tem ao seu dispor, a requisição civil, obrigando os trabalhadores a cumprir os serviços

Contudo, alertou: “Não podemos viver permanentemente em situação de serviços mínimos”, acrescentou. Em causa está o facto de a greve não ter fim à vista, estando marcada por tempo indeterminado.

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Para o primeiro-ministro, “está tudo a decorrer com civismo”, e o Governo está preparado para esta greve, inclusivamente para a necessidade de convocar um Conselho de Ministros electrónico para decretar a requisição civil. Contudo, a greve “não deixará de produzir efeitos”, reconhece.

Desde a manhã desta segunda-feira que é visível uma mobilização das forças de segurança, que têm escoltado camiões, mas também de militares. Questionado sobre este assunto, Costa defende a opção do executivo recusando haver “arrogância” e explicando que a mobilização destas forças acontece também para “evitar situações de conflito”. Além disso, caso haja incumprimento de serviços mínimos e posteriormente de uma requisição civil, mais de 500 polícias, guardas e militares podem avançar para a substituição dos motoristas na condução dos camiões.