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Turismo. Porto em letras azuis brilhantes, fonte Regular

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“Estamos defronte do Porto – este é o céu da minha pátria. Este ar que respiro é o mesmo que respirei no momento que apareci ao mundo...” Eles estão defronte do Porto, mas certamente não sob o céu da sua pátria e nada lhes importa a figura em bronze de quem um dia escreveu aquela frase. A estátua de Almeida Garret fica para segundo plano, porque o que importa focar é esse “Porto.” em letras azuis brilhantes, fonte Regular, nem que seja preciso esperar na bicha. Perfeito para o Instagram.

Em Amesterdão retiraram, no ano passado, as letras igualmente brilhantes que, em frente ao Rijksmuseum, afirmavam “I amsterdam”. Os habitantes da capital holandesa exigiram-no em petição, porque não lhes agradava que a praça se tivesse tornado um local para selfies e porque sentiam que não era a mensagem certa para a cidade. No Porto, o turismo, que tem permitido uma renovação urbana e uma animação do comércio inédita, não suscita esse tipo de manifestações. A cidade está rendida ao turismo de massas.  

O centro da cidade, especialmente ao fim-de-semana, é o território do turista de telemóvel numa mão e mala para “low cost” na outra. Em locais como a área em torno dos Clérigos ou a Ribeira, instala-se Babel e difícil mesmo é encontrar alguém que troque os “vês pelos bês”. O turista que quiser seguir o conselho de Noel Fraga, no guia em cinco línguas de 1963, que sustentava que para a “olhar com olhos de quem sabe ver” era preciso “ver o bulício da sua vida quotidiana” quase só vai poder observar a actividade dos que quotidianamente trabalham na indústria do turismo. Ou, naturalmente, dos muitos que, como ele, se afadigam em não perder a melhor foto, para agora partilhar e, talvez, mais tarde, recordar.

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