Falta resolver 10% dos incêndios em Vila de Rei e Mação. “É uma tarde que vai trazer dificuldades”

Os fogos que lavram desde sábado nos distritos de Castelo Branco e Santarém causaram já 16 feridos (dois civis e os restantes operacionais), um deles em estado grave. Quanto ao combate no meio do calor e do vento desta terça-feira, o comandante admite que será “uma tarde que vai trazer dificuldades”.

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O incêndio afectou os concelhos de Mação (Santarém) e Vila de Rei (Castelo Branco) Paulo Pimenta

O incêndio que lavra desde sábado nos concelhos de Mação e Vila de Rei está com uma “situação consideravelmente mais favorável” em relação a terça-feira, havendo ainda 10% do perímetro de incêndio que está em combustão lenta, adiantou o comandante operacional de Agrupamento Distrital do Centro Sul, Luís Belo Costa, durante um ponto de situação feito na manhã desta terça-feira, na Sertã.

Os 1024 bombeiros presentes no terreno (apoiados por 327 meios terrestres) estão agora dedicados a que não haja reacendimentos. De resto, “90% do incêndio está em resolução e uma grande percentagem do incêndio está já em consolidação, numa fase adiantada do seu rescaldo”, explica o comandante Belo Costa. O INEM referiu que estes incêndios fizeram com que 39 pessoas fossem assistidas, 16 delas feridas (um com gravidade). Os 16 feridos são dois civis e os restantes são operacionais.

A evolução do incêndio está também muito dependente das condições meteorológicas que se farão sentir nesta terça-feira: o comandante Belo Costa diz que, tal como na segunda-feira, é preciso estar atento às temperaturas elevadas e ao vento. “É uma tarde que vai trazer dificuldades”, admite o comandante.

O comandante esclareceu que os 10% de pontos quentes que continuam ainda em combustão lenta não podem ser considerados “uma frente activa”, pois não são “tão perigosos nem tão ameaçadores”. “Mas ainda assim têm de ser extintos”, conclui.

O combate aos incêndios motivou críticas por parte dos autarcas dos dois concelhos mais afectados. O vice-presidente da Câmara de Vila de Rei, Paulo César, disse que o concelho estava “farto” de ser alvo destes incêndios, muitos deles com mão criminosa: “O Estado falhou às populações. O país inteiro falhou. Nós falhámos.”

Também o presidente da Câmara de Mação, Vasco Estrela, considerou ser legítimo que as populações questionem “onde é que estava esta gente toda”, depois de terem observado a chegada dos meios por volta das 23h de domingo e de não os terem “visto durante quase 48 horas no concelho”.