Há reacendimentos em Mação. Incêndio fez 12 feridos e destruiu casas

Reacendimentos em Vila de Rei e Mação tornaram o combate aos incêndios mais complicado no domingo, mas situação melhorou ao início da madrugada. Protecção Civil contabiliza 12 feridos (um deles grave) e casas destruídas. Nesta segunda-feira, as temperaturas podem chegar aos 40 graus Celsius em Castelo Branco e Santarém.

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O que se sabe até agora?

  • O incêndio lavra desde sábado com duas frentes activas: uma em Mação e outra em Vila de Rei;
  • Há 12 feridos (um deles grave) e 21 pessoas assistidas. Há ainda habitações destruídas;
  • O último balanço feito pela Protecção Civil aponta para 90% do incêndio dominado, mas há reacendimentos em Mação;
  • As próximas horas serão encaradas “com muita reserva” por causa do vento;
  • Os autarcas de Vila de Rei e Mação tecem duras críticas à Protecção Civil.

Depois de uma tarde e noite de “extrema dificuldade” no combate ao fogo, em particular nos concelhos de Mação (Santarém) e de Vila de Rei (Castelo Branco), o incêndio que lavra nos dois municípios está “a estabilizar”, havendo ainda “10% do território que carece de muita atenção”, explicou o comandante de operações e socorro, Pedro Nunes. O fogo continua activo nesta segunda-feira, com mais de mil bombeiros, 327 veículos e 13 meios aéreos no terreno.

“O incêndio está estabilizado, com cerca de 90% do incêndio dominado quer na frente de Vila de Rei quer na de Mação”, esclareceu o comandante Pedro Nunes nesta segunda-feira. Os 10% são o principal motivo de preocupação, assim como os “pontos quentes” que podem reacender — o que se torna sobretudo grave nos locais onde é difícil fazer chegar os meios de combate e tendo em conta as previsões de vento para a tarde desta segunda-feira. No ponto de situação feito às 13h, é ainda referido que há 12 feridos (um deles grave) e que foram assistidas 21 pessoas.

Os bombeiros estão agora a combater alguns reacendimentos do incêndio que lavra em Mação e que atinge também o concelho de Vila de Rei. Segundo o comandante distrital do Comando Operacional Distrital de Santarém, Paulo Ferreira, o incêndio está em fase de rescaldo e já não tem chamas activas. Contudo, admitiu que, com o aumento da temperatura e a rotação de ventos prevista, “vai existir perigo”.

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“No caso de tudo correr mal durante o dia de hoje [segunda-feira], os concelhos de Mação e de Proença-a-Nova poderão estar na linha de fogo”, adiantou Pedro Nunes, acautelando que se trata de uma possibilidade, no caso de o fogo ficar descontrolado — e que estão preparados para evacuar aldeias. “Vamos ter um dia muito difícil pela frente”, admitiu o comandante do Agrupamento Distrital do Centro Norte​. Estão a ser postas equipas da GNR nas aldeias de Chaveira, Chaveirinha e Casais de S. Bento, que se encontram na hipotética linha de fogo.

Alguns concelhos dos distritos de Castelo Branco e Santarém apresentam nesta segunda-feira um risco máximo de incêndio – não só pelas temperaturas que podem chegar aos 40 graus Celsius, mas também pela baixa humidade e pelo vento, que dificultam o combate aos fogos. Pedro Nunes afirmou que desde as 11h estão a operar quatro aviões bombardeiros, que se vão manter durante a tarde, bem como um avião de coordenação que tem feito as imagens por infravermelhos que permitem identificar as zonas de maior risco, dada a intensidade do calor.

O vice-presidente da Câmara de Vila de Rei, Paulo César, disse nesta segunda-feira que o concelho “está farto” de enfrentar chamas ano após ano e garantiu que o “Estado voltou a falhar" na prevenção do incêndio deste fim-de-semana. Também o presidente da Câmara de Mação, Vasco Estrela, pediu nesta segunda-feira que houvesse maior “transparência” na divulgação de como os meios de combate aos incêndios são “balanceados” no terreno, lamentando que se diga que são os necessários quando há populações “desprotegidas”.

Ajuda internacional 

A Comissão Europeia reiterou nesta segunda-feira que está preparada para aumentar a sua assistência a Portugal, caso as autoridades nacionais solicitem o reforço da ajuda para combater os incêndios que assolam o país. O anúncio foi feito durante a conferência de imprensa diária da Comissão Europeia em Bruxelas.

Ainda que a possibilidade de se pedir ajuda internacional já tenha sido ponderada, o comandante Pedro Nunes adianta que, para já, têm “capacidade de resposta porque, felizmente, todo o foco de operações está nesta área territorial”. E elogia o trabalho “incansável” e o “esforço muito grande” de todos os bombeiros no terreno.

No último balanço dos fogos que desde sábado atingem os distritos de Santarém e Castelo Branco, o comandante Luís Belo Costa, da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC), afirmava, à meia-noite, que era já “menor” a “violência de propagação do incêndio” e que olhava para “as próximas horas com alguma expectativa” e “optimismo”.

Neste domingo, várias habitações foram destruídas pelas chamas. “Há registo de casas atingidas pelas chamas, mas não temos ainda um número fiável”, adiantou Belo da Costa, comandante do agrupamento Centro Sul da APEPC. Vasco Estrela disse que arderam pelo menos duas casas de habitação em Mação, deixando duas pessoas desalojadas neste município. 

O comandante explicou ainda que foi efectuada uma “reorganização” neste incêndio que na madrugada de segunda-feira tinha duas frentes, uma em Mação e outra em Vila de Rei, com “dois postos de comando”. 

Mas a tarde de domingo foi extremamente complicada: pelo menos 15 aldeias estiveram em perigo, devido aos grandes reacendimentos dos incêndios que deflagraram no sábado em Mação (Santarém), Vila de Rei e Sertã (ambos no distrito de Castelo Branco). Em Mação, onde se viveu a situação mais preocupante, o fogo rondou as casas e uma praia fluvial foi evacuada.

“A rotação do vento e o aumento significativo das temperaturas” provocaram “dificuldades acrescidas”, com as projecções dos incêndios a provocar “ignições em locais em que as forças de combate eventualmente estavam menos reforçadas”, explicou à hora do jantar Belo Costa, numa altura em que a situação ainda era considerada “muito grave”.

Um outro incêndio, de menores dimensões, deflagrou às 17h49 de domingo na freguesia de Beselga, no concelho de Penedono (distrito de Viseu) — depois de ser combatido por 150 bombeiros, foi dado como dominado às 2h45. 

Mas a situação mais complicada viveu-se a meio da tarde de domingo em Cardigos (Mação), quando um fumo negro rodeou o centro desta freguesia, tornando o ar quase irrespirável devido à rápida propagação das chamas que queimou alguns quintais. O vento forte prejudicou a acção dos bombeiros. Segundo os responsáveis da Câmara de Mação, citados pela Lusa, havia ainda 15 aldeias em risco, algumas horas depois de as autoridades se terem mostrado optimistas em relação ao evoluir da situação. 

Ainda de tarde, as chamas chegaram a ameaçar também a aldeia de Casas da Ribeira (Mação), mas os bombeiros conseguiram controlá-las, entretanto. Já a aldeia de Sarnadas (Mação), onde se encontrava uma equipa de reportagem do PÚBLICO, esteve igualmente cercada pelo fogo e duas casas desabitadas ficaram destruídas. 

Activos desde o início da tarde de sábado, os incêndios provocaram pelo menos 12 feridos; o ferido grave (um civil) está internado na unidade de queimados hospital de S. José (Lisboa), depois de ter sofrido queimaduras quando tentava evitar que uma máquina agrícola fosse destruída pelas chamas.

Cinco incêndios em poucos minutos

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, foi um dos primeiros a destacar a “estranheza” das autoridades e dos autarcas face à ignição de cinco incêndios “separados por poucos minutos”, cujas circunstâncias “estão a ser investigadas pelos órgãos de polícia criminal”. A investigação de incêndios em que se suspeite de crime com dolo é, de acordo com a Lei de Organização da Investigação Criminal, da competência exclusiva da PJ.

Uma fonte da Polícia Judiciária adiantou entretanto ao PÚBLICO que foi encontrado um artefacto explosivo na Sertã. A PJ já recolheu este e outros indícios e elementos de natureza criminosa sobre o incêndio que deflagrou no sábado neste concelho e que foi entretanto dado como dominado ao início da noite de domingo. 

A União Europeia já se tinha mostrado disponível para ajudar. “A pedido de Portugal estamos a produzir mapas satélite para os incêndios florestais que afectam a região de Castelo Branco. Estamos a acompanhar de perto a situação. A UE está pronta para oferecer mais ajuda”, publicou no Twitter o comissário europeu para a ajuda humanitária e gestão de crises, Christos Stylianides. 

A acompanhar com preocupação” o evoluir dos “vários focos de incêndio” no país, o ​Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, mantém-se em contacto com quatro presidentes de câmara municipais, mas frisou que a “prioridade e o importante” é o combate aos fogos activos em Portugal. “Haverá tempo para balanços, comparações e retirar lições”, disse, em Marvão (Portalegre). No ano passado, o Presidente decidiu não visitar qualquer zona de combate aos fogos enquanto durar o combate, seguindo as orientações do relatório da comissão técnica independente que investigou as falhas ocorridas nos incêndios de Pedrógão Grande em 2017.

Já esta manhã, o ministro Eduardo Cabrita também tinha afirmado que nenhum membro do Governo se deslocaria ao local (José Artur Neves, secretário de Estado da Protecção Civil, encontra-se na Sertã, mas em áreas onde já decorrem operações de rescaldo, e não de combate a incêndios).

“É devida uma palavra de solidariedade a todos os que estão a sofrer esta situação as populações, os operacionais, mais de mil, e os autarcas, que estão mobilizados ininterruptamente há 48 horas”, notou o Presidente da República. Marcelo espera que “baixe a temperatura, que aumente a humidade, que baixe o vento” para que seja possível, nas próximas horas, “haver uma estabilização” nas zonas onde ainda há incêndios.

O Presidente da República já visitou no Hospital de São José o civil ferido com gravidade e disse que “a situação está sob controlo e a evoluir favoravelmente”.

Em Mação, o que sobrou de 2017 corre risco de desaparecer

Entretanto, no concelho onde se centraram as maiores preocupações das autoridades, “tudo o que sobrou dos catastróficos incêndios de 2017 está em risco de desaparecer”, lamentava à Lusa o vice-presidente da câmara de Mação, António Louro. “Assim, não vai sobrar nada”, afirmou.

António Louro queixava-se ainda da falta de meios para o combate às chamas: “Oficialmente parecem estar muitos operacionais, mas quando se se fala com as pessoas, no terreno, elas perguntam ‘onde é que estão’?”

O tempo quente deverá manter-se nos próximos dias. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) decidiu prolongar até terça-feira o aviso amarelo de calor para os distritos de Bragança, Évora, Vila Real, Beja, Castelo Branco e Portalegre. Os bombeiros estão a ser auxiliados pelas Forças Armadas, que também estão no terreno com máquinas de rastos, e não há registo de falhas de comunicações do sistema SIRESP.