Pai da “química verde” acredita que se pode responder problema do desperdício

Martyn Poliakoff recebeu um Honoris Causa da Universidade Nova de Lisboa e esta terça-feira dá uma palestra na Faculdade de Ciências Tecnologia da Universidade Nova sobre a tabela periódica.

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Martyn Poliakoff em 2008 DR

O cientista britânico Martyn Poliakoff, que recebeu esta segunda-feira um doutoramento Honoris Causa da Universidade Nova de Lisboa, defende a “química verde” como resposta aos problemas do aumento da população, consumo e poluição.

“Os processos químicos actuais geram muito desperdício”, disse Martyn Poliakoff em declarações à agência Lusa, explicando que o ramo da química que propõe visa ser “um processo mais eficiente com menos resíduos produzidos”.

Em vez de se usar 500 quilos de matéria-prima para chegar a produzir um quilo de uma substância fabricada industrialmente, processos como o uso de dióxido de carbono como solvente permitem indústrias menos poluentes e mais rentáveis.

Um dos eixos do trabalho e da investigação do professor de química da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, é o uso de fluidos supercríticos como solventes e em processos industriais.

Martyn Poliakoff confia na evolução da inteligência artificial para ajudar a “fabricar químicos melhores”, contribuindo para resolver problemas como a poluição crescente com plástico, que em 60 anos se tornou omnipresente e cuja durabilidade é agora um desafio, criando problemas de poluição dos oceanos para os quais ainda não se encontrou solução.

“Um computador consegue aprender uma quantidade desmesurada de factos. Se um computador consegue aprender o suficiente para vencer uma partida de xadrez [a um ser humano], talvez consiga resolver um problema da química de forma mais eficiente do que um ser humano”, argumentou.

Na terça-feira, Martyn Poliakoff vai ocupar a tribuna na Faculdade de Ciências Tecnologia da Universidade Nova para uma palestra sobre a tabela periódica, que faz este ano 150 anos e cujos elementos dissecou numa série de vídeos na Internet que o tornaram um dos divulgadores científicos mais populares da era do YouTube.

Apesar do reconhecimento e da abrangência dos vídeos e da sua popularidade numa plataforma que chega a muitas pessoas jovens, o cientista afirma que “ainda é muito cedo” para avaliar o impacto das redes sociais na consciência científica, salientando que “ainda não foram inventadas” as plataformas do futuro.