BPI justifica perdas de 508 milhões em 2011 com “dívida grega”

Além da exposição à divida da Grécia, “o BPI apresenta apenas na lista de grandes devedores nove situações adicionais, que atingem em conjunto o valor de 100 milhões de euros”, reagiu hoje o banco.

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Pablo Forero sucedeu a Fernando Ulrich à frente da comissão executiva do BPI em 2017 Paulo Pimenta

O BPI reagiu à informação publicada pelo Banco de Portugal sobre grandes devedores à Caixa Geral de Depósitos culpando a “dívida grega” por 80% de um total de 508 milhões de euros de perdas em 2011, segundo um comunicado.

“O BPI esclarece que, à data de referência [2011], o valor agregado das perdas reportadas” atingia os 508 milhões de euros, lê-se na mesma nota.

“Este montante agregado inclui as perdas com os títulos de dívida pública grega que, à data de referência (2011), ascendiam a 408 milhões de euros, representando 80% do total de perdas reportadas. A informação detalhada relativa a esta perda é pública e foi divulgada pelo BPI no seu R&C [relatório e contas] relativo a esse ano”.

Além disso, esclareceu a instituição, “como decorre da informação hoje publicada pelo Banco de Portugal [BdP], além das perdas em dívida grega, o BPI apresenta apenas na lista de grandes devedores nove situações adicionais, que atingem em conjunto o valor de 100 milhões de euros”.

O banco destacou ainda que “reembolsou integralmente a dívida ao Tesouro português, com benefício para o Estado e os contribuintes” e sublinhou que “a razão que esteve na base do recurso pelo BPI a fundos públicos não decorreu do incumprimento de créditos concedidos pelo banco a empresas”.

Segundo o BPI “a subscrição pelo Estado Português de instrumentos de capital Core Tier I (CoCo) do banco BPI em Junho de 2012 decorreu de uma alteração regulatória que modificou os pressupostos em que o investimento em dívida pública, então com ‘rating’ positivo, havia sido realizado”.

Depois de uma recomendação da Autoridade Bancária Europeia, o resultado foi “uma exigência de capital temporário e excecional” para o BPI de 1,4 mil milhões de euros, “resultante da valorização a preços de mercado da exposição a dívida soberana”, dos quais mil milhões de euros para exposição à dívida pública portuguesa e 200 milhões de euros relativos a dívida pública grega, segundo o banco.

“A exposição à dívida grega foi abrangida pelo processo de restruturação deste país que envolveu um perdão de dívida e uma operação pública de troca de títulos no início de 2012. O banco BPI vendeu a totalidade da exposição dívida grega no segundo semestre de 2012 a preços de mercado”, garantiu a instituição.

O banco referiu ainda que “as restantes exposições a dívida soberana não tiveram perdas de crédito”.

“O BPI reembolsou a totalidade dos CoCo subscritos pelo Estado português até Junho de 2014, antecipando em três anos o calendário inicialmente previsto”, lê-se na mesma nota.

Além disso, entre Junho 2012 e Junho 2014, a instituição suportou 167 milhões de euros em juros com os CoCo.

“Tendo em conta que o investimento do Estado no BPI foi financiado através da linha disponível para a recapitalização dos bancos portugueses cuja taxa de juro média foi de cerca de 3,3%, o Estado português obteve, no mesmo período, um ganho de 102 milhões de euros”, realçou o banco.

O BdP divulgou hoje a lista agregada dos grandes devedores dos bancos que recorreram a ajuda pública, informação em que não consta o nome dos clientes incumpridores e que implica limitações na interpretação dos dados.