Luta diplomática chinesa no Pacífico Sul

Seis dos 17 Estados que reconhecem Taiwan estão no Pacífico Sul e a China procura por todos os meios ganhar-lhes a confiança e pôr dois pés na região.

Uma loja chinesa em Kiribati
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Uma loja chinesa em Kiribati David Gray/REUTERS

Pequim tem intensificado o seu lobby no Pacífico Sul para conseguir que a política de “Uma China” seja reconhecida pelos países da região que ainda mantêm laços com Taiwan. Dos 17 Estados com relações diplomáticas com Taipé, seis estão no Pacífico: além de Kiribati, são eles as Ilhas Salomão, as ilhas Marshall, Nauru, Tuvalu e Palau.

Se é certo que Taiwan tem doado muito dinheiro para o desenvolvimento destes países e trabalhado muito para cultivar os laços com os seus líderes políticos, a China é hoje o maior parceiro comercial da maioria das ilhas do Pacífico, com um investimento total que chega a 30 mil milhões de dólares.

Envolvidos nesta guerra político-diplomática, estes pequenos Estados insulares tentam resistir à pressão ou aproveitar o jogo da melhor maneira. Nauru, por exemplo, cortou relações com Taiwan em 2002, quando a China prometeu um grande pacote de ajuda financeira, mas voltou a reconhecer o Governo de Taipé em 2005, quando o dinheiro não chegou.

Em Novembro do ano passado, no meio de rumores insistentes de que Kiribati se estava a preparar para trocar de China (Taiwan continua a manter o nome original de República da China), o Presidente Taneti Maamau garantiu, em resposta à pergunta do deputado Taberannang Timeon, que esses rumores não tinham qualquer fundamento.

As movimentações da República Popular da China no xadrez do Pacífico estão, por outro lado, a deixar inquietas as potências que desde a II Guerra Mundial dominam a região, principalmente os Estados Unidos, que consideram a zona como fulcral para a sua segurança.

Para a China, há quatro semelhanças entre o Pacífico Sul e o Mar do Sul da China e, por isso, o Governo chinês estaria a empregar a mesma estratégia nos dois lados: ambos têm recursos significativos, atóis próximos de cabos subaquáticos, uns quantos pontos de estrangulamento marítimo importante e contam com a China como principal parceiro comercial.

Com a chegada de Pequim como actor político, com objectivos perfeitamente estabelecidos em termos económicos, diplomáticos e de segurança, o futuro da região passou a ser tema de reflexão. A última conferência anual do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Singapura, realizada em Junho, incluiu no programa, pela primeira vez em 18 anos, uma sessão para analisar a competição estratégica no Pacífico Sul.