Os Cem Reinos de Westeros, os Stark e outras novidades da nova série A Guerra dos Tronos

A série-prequela está em rodagem, nas mãos de duas mulheres e de George R.R. Martin, que revelou o tempo, os nomes e as criaturas fantásticas com que a HBO quer continuar a capitalizar a febre Tronos.

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Naomi Watts é a mais conhecida actriz da nova série EDUARDO MUNOZ/Reuters
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RUI GAUDENCIO

Menos de dois meses depois do final de A Guerra dos Tronos, as filmagens da série-prequela de A Guerra dos Tronos já decorrem na Irlanda e o seu autor, George R.R. Martin, revela novidades sobre o projecto que ainda não tem nome, nem data de estreia, nem Lannisters mas terá Starks e cerca de cem reinos pelos quais lutar. Ainda assim, a febre não deve ser tão elevada quanto com a série original, acredita o co-autor deste novo projecto televisivo.

Numa entrevista com a revista Entertainment Weekly, o autor de As Crónicas de Gelo e Fogo, a saga literária ainda incompleta que deu origem à milionária série televisiva da HBO, revelou então novidades sobre o projecto para uma nova série que visa continuar a história de Westeros. Tudo começa pelo facto de o continente ficcional onde se passa grande parte da acção de A Guerra dos Tronos e d’ As Crónicas de Gelo e Fogo ter uma configuração bastante diferente da conhecida pelos leitores e espectadores da saga — “falamos dos Sete Reinos de Westeros [em A Guerra dos Tronos]”, diz Martin, “mas se recuarmos mais há nove reinos, e 12 reinos, e eventualmente chegamos a um ponto onde há cem reinos — pequenos reinos — e é dessa era que estamos a falar” na nova história.

O escritor e argumentista — que começou a sua carreira precisamente na televisão com a série A Bela e o Monstro, com Linda Hamilton, no seu currículo — já tinha revelado que a série que antecede A Guerra dos Tronos se passaria cerca de cinco mil anos antes da história conhecida na saga principal (nas novelas, contos e livros-enciclopédicos que rodeiam o fenómeno Tronos há bastante construção histórica sobre os períodos mais antigos deste mundo criado por Martin). Agora, acrescenta-lhes uma geografia básica e nomes: os Stark, uma das casas mais antigas deste universo ficcional e descendentes dos igualmente ficcionais Primeiros Homens, estarão presentes, mas os loiros Lannister não.

“Os Stark estarão lá, decididamente”, diz Martin à revista que, dentro do mesmo conglomerado de media norte-americano que detém também a HBO, tem tido acesso em primeira mão às novidades deste fenómeno de cultura popular. “Obviamente, os Caminhantes Brancos [White Walkers no original] estão lá — ou, como são chamados nos meus livros, Os Outros — e isso será um dos aspectos da história”, disse aludindo aos vilões gelados que a série televisiva transformou em antagonistas principais do arco narrativo de fantasia de Tronos. Sobre outros aspectos da fantasia da sua saga, George R.R. Martin confirma também que “há coisas como Lobos Gigantes [direwolves, no original] e mamutes”, animais aos quais há alusões nos livros já publicados como criaturas do passado. Para o passado televisivo ficam contudo os Lannister, a ambiciosa família de A Guerra dos Tronos que ainda não existe nestes tempos ficcionalmente ancestrais.

Numa altura em que Martin tem nas mãos o futuro da história na perspectiva literária — está a escrever o sexto e penúltimo livro d’As Crónicas de Gelo e Fogo —, o autor sabe que o pujante efeito A Guerra dos Tronos, motor de audiências globais e de milhões em receitas associadas em merchandising, licenciamento ou turismo, vai continuar. Mas acredita que não terá a mesma força. Passada a onda televisiva que foi a oitava e última temporada da série e o relativo descontentamento de uma fatia dos fãs, a espera pelo novo livro será como a noite, longa e cheia de temores, e a preparação de uma nova série perderá sempre, acredita o autor, algumas cabeças pelo caminho. “A escala do sucesso de A Guerra dos Tronos — chegando a todo o mundo e invadindo a cultura — não é algo que se pudesse prever, nem é uma coisa que prevejo voltar a experienciar”, disse no podcast Maltin on Movies.

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George R.R. Martin Rui Gaudêncio

Ainda assim, o episódio-piloto da série que Martin gostaria que se chamasse The Long Night (um período emblemático e misterioso desta história que criou nos anos 1990 mas que foi também escolhido como título para um episódio-chave da oitava temporada) está em filmagens na Irlanda no centro de produção que a série criou por causa de A Guerra dos Tronos — e dificilmente não dará origem a uma temporada. A vontade de capitalizar o êxito de Tronos é forte e há outras duas séries com eles relacionados em pré-produção na HBO (começaram por ser cinco). E ainda aí vem um novo videojogo. “Ouvi uma sugestão de que poderia chamar-se The Longest Night, que é uma variante que não me importava de ver”, disse o autor à EW, espelhando o seu papel como criador mas também os limites da sua vontade perante a máquina audiovisual.

O primeiro episódio da série prequela está nas mãos da showrunner Jane Goldman (Kingsman, X-Men: First Class, Kick Ass) e da realizadora S. J. Clarkson (Dexter, Life on Mars, House) – A Guerra dos Tronos foi uma série masculina, com dois showrunners-autores, mas sobretudo com o facto de nos seus 73 episódios só um ter sido realizado por uma mulher e só quatro com créditos para mulheres argumentistas. George R.R. Martin sublinha que será mais uma série de elenco amplo e sem protagonistas evidentes, mas destaca o trio feminino encabeçado por Naomi Watts e completado por Naomi Ackie e Denise Gough. Josh Whitehouse, Ivanno Jeremiah, Miranda Richardson e Jamie Campbell Bower integram também o elenco.