Karlie Kloss deixou a Victoria’s Secret por causa da mensagem da marca

A supermodelo norte-americana terminou o contrato com a marca de lingerie em 2015. Numa entrevista à Vogue britânica explica agora que não se identificava com a mensagem que esta transmitia.

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Karlie voltou a desfilar para a Victoria's Secret em 2017, em Xangai REUTERS/Aly Song

Karlie Kloss abandonou a Victoria's Secret em 2015, três anos depois de se ter tornado um dos anjos da marca de lingerie — um dos marcos mais desejados na carreira de uma modelo. Na altura, a saída foi justificada por uma incompatibilidade de horários, mas numa recente entrevista a Vogue britânica a modelo conta que não se identificava com a mensagem da marca. 

Em 2015, Kloss começou a estudar teoria feminista na New York University e foi durante essa altura que se separou da marca. “A razão pela qual decidi parar de trabalhar com a Victoria’s Secret foi porque sentia que não era uma imagem que verdadeiramente reflectia quem sou e o tipo de mensagem que quero passar a jovens raparigas em todo o mundo sobre o que significa ser bonita”, conta agora à revista, na edição de Agosto, em que aparece na capa.

“Acho que isso foi um momento fundamental para mim, o tomar o controlo do meu poder enquanto feminista, poder fazer as minhas próprias escolhas e a minha própria narrativa, seja através das empresas com as quais decido trabalhar, seja através da imagem que projecto no mundo”, acrescenta ainda. 

A explicação da supermodelo choca com o motivo que foi dado, na altura pelo director de marketing da Victoria's Secret​, Ed Razek​, para a sua saída. “A Karlie e eu encontrámo-nos há vários meses para discutir uma série de coisas que ela esperava fazer com a sua vida e carreira. À medida que fomos falando tornou-se evidente que não teria tempo para cumprir a miríade de compromissos. Relutantemente, concordámos que iria abandonar a marca no final do seu contrato”, disse então num comunicado, citado pela revista Glamour.

Karlie voltou a pisar a passerelle da Victoria's Secret, no desfile de 2017, em Xangai. Numa entrevista ao Telegraph, em Março do ano passado, afirmou que um espectáculo como o desfile da Vistoria's Secret, num clima pós-MeToo, era mais potente que nunca. “Há algo muito poderoso numa mulher que controla a sua sexualidade”, comentou então ao jornal britânico. Continuou: “Um espectáculo como este celebra e permite-nos ser as melhores versões de nós próprias. (...) Pessoalmente adoro investir num aroma poderoso ou numa peça de lingerie, mas certifico-me que é de acordo com os meus termos.”

A imagem da Victoria's Secret não é a mesma de em tempos, com várias vozes a criticarem a marca, ora pela falta de diversidade corporal, olha por explorar os corpos das mulheres. No último desfile, em Novembro de 2018, a cantora Halsey (uma das convidadas musicais) distanciou-se da marca de lingerie devido aos comentários feitos por Ed Razek, numa entrevista, em relação às pessoas trans.

A verdade é que as próprias audiências do desfile — todos os anos emitidos na televisão — têm vindo a decrescer e na última edição atingiu o recorde mais baixo de sempre. Em Maio, a marca anunciou que iria “repensar” o seu desfile televisivo anual. Num memorando interno partilhado com os trabalhadores da L Brands — o grupo que controla a marca —, noticiado pela CNBC, o CEO da empresa, Les Wexner, afirmou que emitir o desfile na televisão, como tem feito nos últimos quase 20 anos, já não é a melhor estratégia para a marca.