Três serviços para fugir ao caos do aeroporto

Uma escala pode transformar-se num teste de nervos. A melhor opção pode ser esperar num lounge. E há formas de os aproveitar sem elevar muito os custos.

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Esperar é a principal rotina num aeroporto. E não há melhor sítio para matar o tempo do que os chamados lounges. Têm conforto, comida, bebida, entretenimento e até chuveiros.

Durante décadas, foram locais inacessíveis à maioria, sítios exclusivos para passageiros especiais ou endinheirados que compravam lugares em primeira classe. Alguns deles, ainda o são. Mas a transformação na aviação também chegou aos lounges. Hoje é possível usá-los independentemente da companhia aérea e da classe em que viajamos, sejamos ou não passageiros frequentes.

Serviços como o Priority Pass, LoungeMe e LoungeBuddy disponibilizam aplicações que são uma espécie de TripAdvisor ou Booking dos lounges. Cobrem mais de 2000 salas existentes em mais de 500 aeroportos em todo o planeta. O Lounge Pass é outro serviço do género, mas não disponibiliza app

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A transformação da aviação também mudou o negócio dos "lounges" Reuters

A diferença fundamental entre estes três serviços é que os dois primeiros têm opções de subscrição que podem ser vantajosos para viajantes frequentes. Mas as apps móveis seguem a mesma filosofia: mostram fotografias, descrevem serviços disponíveis, incluem críticas e recomendações de outros viajantes, informam sobre preços e permitem reservar ou comprar acesso de forma antecipada.

Obviamente, há formas mais baratas de matar o tempo – e importa sublinhar que matar o tempo é um problema de gente do primeiro mundo, como nos mostra o filósofo Alain de Botton, nos livros que dedicou a viagens e à vida em aeroportos. Um bom livro, por exemplo, tem o poder de isolar-nos da espiral ruidosa que reina num terminal de aeroporto.

Mas há viagens, escalas, momentos e locais que pedem sossego, descanso, conforto, seja para dormir, para trabalhar, para uma reunião de emergência ou para nos entretermos. E sossego, descanso e conforto são três bens escassos num aeroporto. 

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Conforto é algo que não abunda muitas vezes nos terminais de aeroporto Jumana El-Heloueh/Reuters

Nessas situações, vale a pena considerar o acesso a um lounge, uma opção que raramente nos passa pela cabeça, apesar de até poder ser a opção mais económica. Vejamos exemplos. 

O Blue Lounge no Aeroporto de Lisboa custa a partir de 20 euros por pessoa, se a reserva for feita com antecedência e directamente na Groundforce, que gere aquele espaço. Por este preço, há comida e bebida, revistas e jornais, Wi-Fi, tomadas eléctricas para carregar telemóveis e afins, televisão, casas de banho (em Lisboa, os chuveiros estão no Airport Business Center e no ANA Lounge).

Ora, quem já optou por comer e beber num bar ou restaurante de aeroporto sabe que o preço de uma refeição “plastificada”, sem nenhum grau de requinte, com bebida e café, pode rapidamente escalar para preços semelhantes. E nem sempre oferece sossego, assentos confortáveis, silêncio ou uma simples tomada eléctrica. Visto desta forma, um lounge pode compensar mais, sobretudo se for tratado com antecedência.

Antecipação é, de facto, o segredo. Devemos informar-nos dos lounges disponíveis e das condições de acesso antes mesmo de comprar o bilhete de avião, até porque há muitas vezes parcerias comerciais que dão acesso gratuito desde que viajemos na transportadora X ou paguemos a reserva com o cartão Y. Nas restantes situações, reservas antecipadas podem dar acesso a descontos.

Os serviços Priority Pass e LoungeMe têm, à data, três opções de assinatura que podem ajudar a poupar centenas de euros por ano. A assinatura anual mais barata custa 89 euros no primeiro caso e 94 euros no segundo. É um pouco mais caro no LoungeMe, mas este serviço oferece um acesso gratuito por ano. As restantes visitas custam 27 euros, independentemente do local (28 euros no Priority Pass).

A assinatura intermédia custa 259 euros por ano no Priority Pass e 289 euros no LoungeMe. Ambas oferecem neste escalão dez visitas gratuitas por ano e depois nas restantes um preço fixo de 28 euros (para passageiro e convidados) ou 27 euros (só passageiro), respectivamente. A opção mais cara custa 399 euros (Priority Pass Prestige) e 499 euros (Lounge Me Voyager), com entrada gratuita nos lounges de todo o mundo. Para passageiros frequentes, a relação custo/benefício destas assinaturas pode ser economicamente favorável.