Crítica

Apocalipse zombie now

O estado do mundo pode não ser grande coisa, Jim Jarmusch já fez melhor e isto vai tudo acabar mal. Mas é impossível não nos divertirmos.

Uma comédia onde o riso se estrangula às tantas na garganta porque se fala de coisas muito sérias
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Uma comédia onde o riso se estrangula às tantas na garganta porque se fala de coisas muito sérias

“Isto vai tudo acabar mal” é a frase recorrente do novo filme de Jim Jarmusch que, depois da belíssima miniatura zen de Paterson, reuniu amigos e cúmplices de longa data (até a Eszter Balint do Stranger than Paradise...) para fazer uma comédia negra sobre zombies à solta na heartland America. Os Mortos Não Morrem é um cruzamento da impassividade de Buster Keaton com a sátira consumista da Maldição dos Mortos-Vivos de George Romero, polvilhada por piscadelas de olho apaixonadamente cinéfilas e uma urgência política paredes meias com o niilismo hipster. É um dos filmes mais divertidos de sempre da carreira de Jarmusch (com muito café e poucos cigarros), mas é também uma comédia onde o riso se estrangula às tantas na garganta porque se fala de coisas muito sérias e, como Adam Driver passa o tempo a dizer, “isto vai tudo acabar mal”.